terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

À Volta com a Vida: Vale a pena namorar no trabalho?



Vale a pena namorar no trabalho?



O amor acontece onde menos se espera. Se for no emprego, tome alguns cuidados e siga em frente


Não pense que é caso único. Cada vez as pessoas passam mais horas nos locais de trabalho, por isso é natural que os laços entre os colaboradores das empresas se vão estreitando. É no emprego que surgem algumas das nossas melhores amizades, mas o amor também pode espreitar, por detrás de papéis e dossiês... Se se sentir apaixonada, não desista à partida só porque “parece mal”. Se for correspondida, tanto melhor. Porém, há que tomar certos cuidados para que o seu caso não se torne falatório generalizado e para que a relação tome o melhor caminho possível. Tenha ainda em conta que, caso as coisas não corram pelo melhor e um dia o namoro acabe, vai ter de continuar a encarar com o seu “ex” todos os dias... Está preparada para todas as vicissitudes? Então, encha-se de coragem, siga as dicas da sua TVmais e vá em frente!

Evite namorar com o chefe!
O motivo é evidente: namorar com um superior poderá fazer com que, inconscientemente ou não, ele a favoreça, o que criará um enorme mal-estar em toda a equipa. Da mesma maneira, não é boa ideia namorar com um subalterno. No entanto, se a paixão falar mais alto, sigam em frente, tendo o cuidado de, no emprego, manter uma atitude normal, tal como antes de a relação começar. E nada de esconder o caso. Poderia ser ainda pior!

Muito importante: aprenda a distinguir a paixão do assédio sexual. Se após várias investidas, continua a ser rejeitada, pare! Também não aceite ser incomodada por alguém, sobretudo um superior, que a troca da sua recusa lhe faz ameaças. E, se for preciso, denuncie o caso.

Prefira alguém distante
Namorar com o colega da secretária em frente poderá tornar-se mais complicado em caso de ruptura. Claro que os amores não se escolhem, mas convém colocar algum realismo nas nossas vidas. Se optar por um colega de departamento diferente, não só não terá de estar 24 sobre 24 horas a olhar para a cara do seu amor (o que ao fim de algum tempo tende a ser cansativo) como, caso acabem, não terá de encará-lo a toda a hora! Além disso, namoros que começam em convívios e actividades extracurriculares da empresa são, regra geral, mais bem tolerados.

Pense antes de agir
Muitas vezes somos tomadas pelo fogo da paixão e agimos sem pensar. Quando a questão é namorar no local de trabalho, convém pensar duas vezes sobre o assunto. Os vossos feitios são compatíveis? Ele é um rapaz bem--intencionado ou é o galã da empresa? Está mesmo apaixonada ou é apenas uma atração? Depois de ponderadas todas estas questões, se valer a pena, invista. Caso contrário, tente esquecer esse episódio da sua vida e siga outro rumo.

Não use o e-mail
Este conselho é particularmente útil se pensa que tudo o que escreve é confidencial e ninguém vai ler! No caso dos e-mails da empresa isto não é verdade. O seu chefe poderá aceder à sua caixa de entrada, tal como os técnicos de informática. Não quer transformar-se na chacota do povo, pois não? Evite. Jamais envie recadinhos amorosos pelo e-mail da empresa.

Nada de carinhos em público
Os seus colegas não são a plateia do seu amor. Se namora com um colega, jamais se ponha aos beijinhos e aos apalpões na empresa! Por outro lado, e por muito que lhe custe, não saia todos os dias para almoçar com ele. Procure dispensar algum tempo às suas colegas e amigas. E tentem a todo o custo não levar os vossos arrufos para o emprego, o que causaria enorme desconforto aos restantes colegas.

Prepare-se para o pior
Já sabe que uma das coisas que vai ter de enfrentar, caso acabem, é a presença do outro, no seu local de emprego. Apesar de ter ponderado bem, e de ter pensado que conseguia lidar com isso, não é fácil... E, nesta situação, muitas vezes um dos parceiros acaba por abandonar a empresa. E essa pessoa pode ser você... Pense nisso antes de dar aquele passo.

Fonte: Revista VISÃO

Momentos da Vida: 10 razões para amar José Mourinho



10 razões para amar José Mourinho


1. Seja qual for o resultado de hoje e da próxima quarta (segunda mão contra o "unáite" de Manchester), importa perceber que José Mourinho é o maior. Quem afirmar o contrário não passa de um vil e bexigoso mentiroso.

2. Ele começou a ser o maior na vitória do Porto na final da Liga dos Campeões de 2004. Não foi uma vitória à tuga, à rasquinha, em cima da linha, com o coração na boca. Nada disso. Foi a vitória do trabalho, e não do improviso ou do calcanhar. Mourinho chegou lá, controlou o adversário e trouxe o caneco para casa com naturalidade, à patrão.

3. Mourinho acha, e bem, que o futebol não é um espectáculo de entretenimento. Se querem entretenimento, experimentem um show de golfinhos. O futebol não é um entretém, é o nosso circo romano. Um adepto não quer que a sua equipa dê espectáculo, quer que a sua equipa esmague os adversários.

4. Na arena, Mourinho é um gladiador. E, como qualquer gladiador, tem o sentido do drama. É um grande actor. Não estou a dizer que as cenas que ele costuma fazer são necessariamente fabricadas. Até podem nascer de forma espontânea, mas a partir de um certo momento Mourinho sabe que está a entrar na teatralidade. Espontaneidade pura é com o mister Jesus. A espontaneidade de Mourinho é, digamos, trabalhada. E ainda bem.
Nunca esquecerei, por exemplo, aquela cena imperial que humilhou um Camp Nou já derrotad

5. Como gladiador, Mourinho não quer saber das supostas boas maneiras que um treinador deve ter neste tempo de estrelas higienizadas. Ele cria o clima necessário para a sua equipa vencer, pressionando o outro lado com ironia, sarcasmo, indirectas e directas. Fair play? O fair play são as regras do jogo.

6. Mourinho é um líder de combate. Ele fomenta um ambiente de irmandade entre si e os jogadores, e entre os jogadores. É um fazedor de balneários, isto é, de casernas. Com a excepção dos campeões do mundo do Real, todos os jogadores de Mourinho dizem maravilhas do seu líder ou ex-líder. Porquê? Ao dar o corpo às balas da imprensa e dos adversários, Mourinho retira os seus homens da linha de fogo.

7. A coragem de Mourinho dá-lhe um toque de imprevisibilidade. Este ar de mustang marca a diferença num tempo de discursos e gestos domesticados. Exemplo? Há dias, subiu sozinho ao relvado do Bernabéu para enfrentar a fúria dos adeptos. Daqui a uns anos, no campeonato da memória, este episódio valerá mais do que o título espanhol de 2012.

8. Os únicos espinhos cravados na maior equipa de futebol das últimas décadas têm a lavra de José Mourinho. O português roubou a Liga dos Campeões ao Barça em 2010 e, logo a seguir, aterrou em Espanha para desafiar a equipa de Messi. Só ele aceitaria este desafio.

9. Se é pouco português na forma como trabalha, é absolutamente português naquela inteligência emocional que marca a sua persona, quer no mau-feitio,
quer no carinho .

10. Um dia, voltará ao Benfica e matará a maldição de Béla Guttmann.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Às voltas com a VODAFONE: Sem sombra de Dúvidas

Às Voltas com a Memória: BETO (n. 28 Dez.1967; m. 23 Mai. 2010)



Albertino João Santos Pereira, mais conhecido como Beto, nasceu em Peniche, a 28 de Dezembro de 1967.

Aos 5 anos começou a cantar. Aos 17 anos foi para Torres Vedras e passa por vários grupos de música portuguesa.

Em 1992, fundou os Tanimara, que eram uma das melhores bandas de covers da altura. Actuavam no bar Xafarix em Lisboa.

Em 1998 é convidado pelo Maestro José Marinho para representar Portugal no Festival da OTI, na Costa Rica, com o tema "Quem Espera (Desespera)", ficando em 3º lugar.

A partir daqui vários colegas de profissão reconheceram-lhe o enorme talento e convidaram-no para participar nos seus álbuns, no caso de Rita Guerra e Paulo de Carvalho, em duetos, e ainda em centenas de concertos, no caso de Luís Represas e Paulo Gonzo, por todo o país e em salas de prestígio como os Coliseus e o Centro Cultural de Belém.

Destaca-se "Brincando com o Fogo", com Rita Guerra, que até hoje é um tema muito do agrado do público.

Em 2000 é convidado a gravar um disco a duo com Rita Guerra. O álbum "Desencontros" deu origem a uma turné com dezenas de espectáculos em todo o país.

Entre 2000 e 2003 grava 8 temas para bandas sonoras de telenovelas.

No dia 14 de Julho de 2003 lança o seu álbum de estreia a solo, "Olhar em frente", com temas como "Memórias Esquecidas" (tema da novela "Coração Malandro"), «Dois Corações Unidos» (da novela «Nunca Digas Adeus») e «Tudo Por Amor» (da novela «Tudo Por Amor»).

O disco vendeu em quatro meses mais de 13.000 cópias e foi certificado Disco de Prata pela Associação Fonográfica Portuguesa.

Passado pouco mais de um ano deste álbum estar à venda entrou para os lugares cimeiros do Top de vendas nacional permanecendo mais de 57 semanas consecutivas no Top e atingindo o disco de Platina (dupla platina segundo as novas regras da AFP) e sendo o disco português mais vendido no ano de 2004 (cerca de 50 mil exemplares).

Faz entretanto algumas participações em álbuns de outros artistas como Gonçalo Pereira e Ménito Ramos.

No dia 2 de Maio de 2005 lança o álbum "Influências". Em apenas 6 meses é Platina com quase 30.000 cópias vendidas. E para marcar o início da sua turné, apresentou-se ao vivo no Coliseu dos Recreios em Lisboa.

Em Outubro de 2005, a convite de Maria João Abreu e José Raposo, estreia-se no teatro: 'A Revista é Liiinda', espectáculo que o empresário Hélder Freire Costa apresenta no Teatro Maria Vitória. Interpreta "Estrela Da Manhã" e "Podia Ter Sido Amor" em dueto com Paula Sá.

Muda de editora e edita "Porto de Abrigo", um disco com uma sonoridade mais acústica e pura, tentando consolidar os laços já criados com o seu público.

No dia 4 de Maio de 2010 realizou a sua última actuação no Evento Solidariedade - DESMISTIFICA SIMPLIFICA. Este evento foi organizado entre os alunos do Núcleo de Curso de Gestão de Lazer e Turismo de Negócios da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche e a CERPIC PENICHE.

Faleceu na manhã do dia 23 de Maio de 2010, num hotel de Caldas da Rainha, vítima de acidente vascular cerebral. Tinha 42 anos de idade.

À Volta com a Economia: Saiba quanto ganham os banqueiros do BCE



Saiba quanto ganham os banqueiros do BCE


Banco Central Europeu (BCE) gastou com pessoal de 184,6 milhões de euros. O presidente Mario Draghi encaixou mais de 374 mil euros. Já o vice-presidente, o português Vítor Constâncio, recebeu em 2012 um salário de 320.688 euros.


O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ganhou no ano passado mais de 374 mil euros. Já o vice-presidente do BCE, o português Vítor Constâncio, recebeu em 2012 um salário de 320.688 euros, o segundo valor mais alto.

Antes de partir para Frankfurt, em 2010, Vítor Constâncio era o governador do Banco de Portugal, cargo no qual recebia cerca de 250 mil euros anuais. Segundo notícias da imprensa portuguesa, datadas de 2009, Constâncio era na altura o terceiro líder de um banco central mais bem pago do mundo, apenas atrás dos governadores dos bancos centrais de Hong Kong e de Itália.

Tal como Vítor Constâncio e os restantes membros do conselho executivo do BCE, Mario Draghi beneficiou de um aumento salarial de 0,8% face a 2011. Segundo dados avançados pela agência noticiosa Europa Press, Draghi tem ainda direito uma residência oficial que é propriedade da instituição que define a política monetária na Zona Euro.

O italiano ganhou, em 2012, um pouco mais do que o seu homólogo do Banco de Inglaterra, Mervyn King (350.997 euros), enquanto o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos da América, Ben Bernanke, recebeu um salário de 151.288 euros.

Em termos gerais, no ano passado, o BCE apresentou gastos com pessoal de 184,6 milhões de euros, que incluem salários, outros gastos sociais, prémios de seguros e gastos diversos com funcionários.

Este valor representa uma subida homóloga de 6,6% face aos 173,1 milhões de euros registados nesta rubrica em 2011.

Em 2012 e em 2011, o aumento salarial dos membros do conselho executivo do BCE foi de 0,8%, depois de terem beneficiado de aumentos de 2% em 2010, de 2,5% em 2009 e de 1,9% em 2008

Fonte: EXPRESSO Online

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Momentos da Vida: O CÉREBRO É UM MÚSCULO… ASSIM VAI A NOSSA MATEMÁTICA (NO ISCAL, CLARO)



O CÉREBRO É UM MÚSCULO… ASSIM VAI A NOSSA MATEMÁTICA (NO ISCAL, CLARO)


Estávamos em plena aula de Matemática II, no ISCAL – Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa, quando o professor da respectiva cadeira, depois de muito prosear sobre a sua disciplina, enaltecendo-a, elevando-a à mais respeitada disciplina de todo o curso e percurso académico, a grande percursora do desenvolvimento humano e da capacidade de raciocínio (coitados dos alunos de letras, não devem mesmo ter qualquer capacidade), saiu-se com uma, que por momentos pensei estar num daqueles países de terceiro mundo, mas terceiro mundo a cair para quarto mundo… diz ele, “sabem o cérebro é um músculo, não sabiam, se não for exercitado atrofia, por isso a matemática é fundamental”. Fiquei horrorizado, estarrecido, espantado e logo meditei … este “gajo” não tirou o 9º ano, nem a antiga quarta classe, deve ter passado logo para o ensino superior, Matemáticas Aplicadas, só vê mesmo números, então o cérebro é um músculo? A falta de cultura deste senhor (ainda por cima regente da cadeira) é pavorosa, para quem em aula sim, aula não, diz que tem um doutoramento em matemática, sim senhor, menos cultura matemática e mais cultura geral não lhe fazia nada mal.

Bem mas afinal o que é o cérebro? O cérebro é um órgão constituído por corpos de neurónios (substância cinzenta) e axónios (substância branca), sustentados por tecido conjuntivo, ou seja a fibra nervosa, nada tem a ver com a fibra muscular, já que nem sequer possui poder contráctil, portanto não há nada de músculo no cérebro, não deixando no entanto de ser necessário exercita-lo, assim como se exercita os músculos, mas este é um exercício intelectual (como leitura, pensamento, raciocínio, etc.). Concerteza, este senhor Doutor, confundiu aquilo que é a força de expressão, “se você não usar o cérebro ele atrofia”, ou seja um modo de falar, uma ANALOGIA entre músculo e cérebro. Portanto a todos os leitores deste artigo, o cérebro é um órgão do sistema nervoso central situado no interior da caixa craniana de diversos animais vertebrados, entre o quais o ser humano. Divide-se em hemisférios cerebrais e estruturas intra-hemisféricas, sendo os hemisférios distintos pelas pregas nas suas superfícies, que forma giros, os quais são separados por sulcos ou fendas. E… muito mais havia para dizer sobre o nosso cérebro, é uma questão de consulta mais aprofundada, que não é o objectivo desta crónica.

Em suma, assim vai o ISCAL em geral, e a Matemática em particular, assim vai o ensino em Portugal, se bem que os matemáticos “abusam” da sua falta de socialização cultural, rigor profissional (este professor engana-se com muita frequência nos exercícios por ele propostos) e tem um défice de ser aquilo que se chama, “bom professor”, deveras aterrorizador.

Para terminar, a passagem a esta cadeira é horrorosa, devastadora e sabem porquê? Tal como dizia um professor meu de Sociologia, do ISCTE, “As classificações, classificam os classificadores”. Bem hajam.

Às voltas com a política: E agora, senhor Relvas, o povo mau



E agora, senhor Relvas, o povo mau


A TVI convidou Miguel Relvas para falar sobre o futuro do jornalismo. É um hábito nacional. Em Portugal, não há mercearia ou Universidade que não queira ter um ministro a inaugurar o seu "evento". Mesmo que o ministro em causa não tenha, como é evidente no caso, qualquer pensamento sobre o assunto a ser tratado. Relvas foi, como fora no dia anterior, interrompido por protestos. José Alberto de Carvalho disse, na TVI, que foi um atentado à liberdade de expressão. A deixa foi aproveitada por os que acham que a vida política portuguesa se deveria resumir às guerras de bastidores do PSD e do PS. E que os portugueses deveriam continuar a ser, como os definiu um membro da troika, "um povo bom".

Miguel Relvas fala todos os dias, sempre que quer. Fala sobre o que sabe e o que não sabe. O seu direito a expressar as suas opiniões está mais do que salvaguardado. Quem o interrompeu no ISCTE não teria seguramente como intenção impedir que os portugueses ouvissem as suas doutas opiniões sobre o futuro do jornalismo. Queriam protestar e protestaram.

Portugal sabe bem, pela sua história, o que é estar privado da liberdade de expressão. É coisa séria e não deviam ser os jornalistas a banalizar o conceito. Querem saber o que é pôr em causa a liberdade de expressão? É o ministro que tutela a RTP mandar despedir um cronista da rádio pública porque não gostou do que lá ouviu. É um ministro que assim agiu continuar no seu lugar. E ainda ser convidado pela classe para perorar sobre o futuro do jornalismo.

Miguel Relvas é um símbolo. Um símbolo da desfaçatez e da falta de ética política. No seu comportamento como ministro e como cidadão - como escrevia alguém do "Cão Azul", foram mais os 15 minutos que esteve no ISCTE do que o tempo que passou na faculdade onde supostamente se licenciou. Basta ver a quantidade de ex-governantes envolvidos no escândalo do BPN para perceber que está longe de ser o primeiro deste calibre a estar num governo. Mas estamos no meio de uma crise. As pessoas estão desesperadas e com muito pouca paciência. Exigem, pelo menos, que finjam que as respeitam.

O facto de Relvas ser interrompido em todos os lugares onde vá, o facto de não poder sair à rua sem que os portugueses lhe manifestem a repulsa que lhes causa, é uma boa notícia para a nossa democracia. Quer dizer que os cidadãos ainda não desistiram de tudo. Que ainda não estão completamente resignados. Isso sim, seria trágico. Porque só em democracias discursos de ministros são interrompidos por protestos.

E quer dizer que as pessoas ainda não tratam "os políticos" todos da mesma maneira. Que ainda os distinguem. Mesmo quando são interrompidos nem todos os membros do governo têm direito ao nível de desrespeito que Relvas tem merecido nas suas aparições públicas - todos os restantes ministros têm discursado depois dos protestos. Mesmo perante quem as está a afundar, as pessoas conseguem distinguir entre aqueles de quem discordam e aqueles que, independentemente das suas posições, em nenhuma democracia exigente poderiam ocupar um cargo público.

Esta é a única perversidade que pode ser apontada à perseguição popular a Relvas: pode fazer esquecer a responsabilidade de quem lhe deu o lugar que ocupa. É que nem todos percebem que Miguel Relvas é apenas a versão desafinada de Pedro Passos Coelho.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Poeta é um fingidor



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


 


Análise do poema "Liberdade"

Datado de 16/3/1935, o poema "Liberdade" é um dos poemas mais conhecidos e citados de Fernando Pessoa. É um poema ortónimo, ou seja, escrito por Fernando Pessoa em seu próprio nome e aborda um tema raras vezes abordado pelo poeta de modo tão explícito: a liberdade humana.

À primeira vista trata-se de uma abordagem leve e divertida ao tema. Essa é claramente a sensação que se tem ao ler o poema. "Ai que prazer / Não cumprir um dever" - uma leveza simples e recta, que fala de como é bom não ter deveres, ou tê-los e não os cumprir, numa rebeldia com que sonham todas as crianças.

Mas em Pessoa nada é simples, muito menos recto...

Há uma chave para desvendar este poema "Liberdade". Um poema eu considero ser de uma intensa ironia. Mas essa chave curiosamente não está no poema, mas apenas referenciada nele de modo indirecto. É uma pista que Pessoa lança ao leitor, mas apenas ao leitor mais interessado - um leitor de segundo nível, que ignora o tom superficial leve das palavras e se interessa pelo conteúdo escondido das intenções.

Que pista é esta? Está numa citação que Pessoa nunca colocou, mas que devia vir logo a seguir ao título. No manuscrito original Pessoa escreve debaixo do titulo do poema: "(Falta uma citação de Séneca)".

Que citação é esta? E quem era Séneca?

Séneca foi um filósofo do Séc. I, um estóico preocupado com a ética. Não nos alongaremos com a análise da vida deste filósofo, mas citaremos dois princípios dele que nos interessam para a compreensão do poema "Liberdade". Dizia Séneca que o cumprimento do dever era um serviço à humanidade. Para ele o destino estava predestinado, o homem pode apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo, mas apenas a aceitação lhe pode trazer a liberdade. Eis o estoicismo na sua essência.

Eis o filtro que se deverá usar na leitura do poema "Liberdade": o estoicismo de Séneca.

Tudo o que antes parecia ligeiro, agora é intensamente irónico. Fernando Pessoa pensa o contrário do que diz o seu poema. Se ele diz que bom é não cumprir um dever, ele pensa o contrário, que o dever é essencial para a liberdade, se o homem quiser ser livre, terá de se submeter ao cumprimento do dever que lhe é imposto.

Outra achega: a semelhança entre a ironia utilizada e a escrita que se assemelha à de Caeiro. É Caeiro o heterónimo que renega igualmente o dever e o heterónimo que domina Pessoa no início das suas decisões, que o prende à realidade e lhe permite ascender aos astros. Será Pessoa aqui também um critico de si próprio e um critico de Caeiro? Não poderemos dizer ao certo, mas parece-nos que sim, que as palavras de Pessoa são irónicas e dirigidas a Caeiro, ao seu próprio sonho de juventude, em que pensou ser possível ser livre das ideias.

Afinal este poema é um ensaio de revolta contra o que Caeiro disse, contra os próprios projectos falhados de Pessoa. Ele que queria atingir a liberdade libertando-se de tudo, da civilização, dos deveres, dos livros, ser apenas criança... O título - Liberdade - é apenas uma ironia triste e amarga e um contra-senso propositado. Arde em Fernando Pessoa a derrota da sua aventura, perto que está da morte quando escreve este poema. Este poema é de certo modo o epitáfio intelectual de Caeiro - o Mestre, por parte de Fernando Pessoa - o Criador.

Ps: há quem adivinhe neste poema de Pessoa também uma crítica social implícita, sobretudo nos versos: "Flores, música, o luar, e o sol que peca / Só quando, em vez de criar, seca." e na referência às finanças, que encobriria um ataque a Salazar, que foi, como se sabe, Ministro das Finanças entre 1928 e 1932.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Notícia(s) do Dia: Relvas abandona conferência depois de ser vaiado (Finalmente algo acontece na sociedade. Se o PM não corre com ele, terá que ser o povo)



Relvas abandona conferência depois de ser vaiado


O ministro dos Assuntos Parlamentares desistiu de fazer a sua intervenção, após os insultos e vaias do grupo de estudantes.
Miguel Relvas foi alvo de contestação no auditório do ISCTE onde participa na conferência "Como vai ser o Jornalismo nos próximos 20 anos?", organizada no âmbito das comemorações dos 20 anos da TVI. Um grupo de jovens gritou palavras de ordem à entrada do ministro, como "Este Governo não tem Educação" e "Demissão", envergando cartazes.

Relvas ia encerrar a conferência, mas foi impedido de falar pelos manifestantes e acabou por sair do púlpito.

Já ontem à noite, o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares foi interrompido quando discursava no Clube dos Pensadores, em Gaia, por protestos de cerca de duas dezenas de pessoas, que cantaram "Grândola Vila Morena" e exigiram a sua demissão. "25 de Abril sempre! Fascistas nunca mais", "gatunos" e "demissão", gritaram os manifestantes, interrompendo, cerca das 21:40, o discurso de Miguel Relvas, que falava há cinco minutos.

O ministro ainda tentou dirigir-se aos manifestantes, mas a sua voz foi abafada pelos protestos. "Sim, vamos todos cantar", disse Miguel Relvas, que só conseguiu voltar ao seu discurso depois de o grupo ter saído por sua iniciativa da sala. "Nestas circunstâncias [estas manifestações] não me desencorajam, não tenho qualquer tipo de preconceito", afirmou Relvas após os protestos.


Fonte: ECONÓMICO

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

À Volta com a Vida: Matrioska de omissões (O Governo no seu melhor...!!!)



Matrioska de omissões

Há meses, houve barulho porque Artur Baptista da Silva acrescentou umas coisas ao seu currículo. Agora, há barulho porque Franquelim Alves retirou umas coisas ao dele. Com franqueza, decidam-se.


Franquelim Alves, o novo secretário de Estado do Empreendedorismo, omitiu informação ao Banco de Portugal, na altura em que era administrador da Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do BPN.

O Governo, quando nomeou Franquelim Alves, omitiu a informação de que o novo secretário de Estado tinha sido administrador da SLN. Houve, portanto, uma omissão de informações acerca do homem que tinha omitido informações.

Um esforço para omitir o episódio das omissões. É uma matrioska de omissões difícil de acompanhar. Parece um quadro de M. C. Escher mas com omissões em vez de escadas. Neste momento, olhar para o Governo durante muito tempo pode provocar dor de cabeça.

Como sempre, as opiniões dividem-se. De um lado, aqueles que acham que a nomeação para um cargo governativo de um homem que esteve envolvido na administração do BPN não tem mal nenhum. Do outro, as pessoas que mantêm um mínimo de decência.

Eu fiquei posto de parte, uma vez que não concordo com as primeiras e não posso, em consciência, ser incluído no grupo das segundas.

Pessoalmente, começo a ficar farto destas pequenas polémicas acerca de currículos. Qualquer coisa transtorna a opinião pública. Há meses, houve barulho porque Artur Baptista da Silva acrescentou umas coisas ao seu currículo. Agora, há barulho porque Franquelim Alves retirou umas coisas ao dele. Com franqueza, decidam-se. Não se pode ser criativo com o currículo, que este maldito cinzentismo tão português não deixa.

Analisando friamente a nomeação, constatamos que é um escândalo e uma vergonha. Isto é tudo uma cambada.

Mas, analisando-a ainda mais friamente, concluímos que talvez faça sentido.

Um secretário de Estado tem de estar preparado para gerir o dinheiro dos contribuintes. Os administradores da SLN têm muita experiência nesse capítulo. Foram lá parar 4 mil milhões de euros dos contribuintes, e parece que essa torneira continua aberta.

Além disso, a SLN tem sido designada como uma associação de malfeitores, e não é a primeira vez que alguém ajuda as autoridades depois de ter trabalhado em organizações de bandidos. Por mim, convidávamos o contabilista da Dona Branca para secretário de Estado do Tesouro e o motorista do Bibi para secretário de Estado da Juventude.

Quanto a indignações, só tolero a dos centristas. O CDS, neste momento, é o partido com o qual o povo português mais se identifica. Somos iguais. Eles também não concordam com nada do que o Governo faz, mas não têm outro remédio senão amochar.



Fonte: Revista VISÃO

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Às voltas com a política: PS (Política Surrealista)



PS (Política Surrealista)

A tragédia do socialismo democrático actual é ser um fogo apagado que só reacende as brasas quando troca a coragem política pela ética.


Por que é que um cidadão de esquerda, preocupado com o rumo que o país está tomar, temendo que a distância dos cidadãos em relação ao sistema político democrático se agrave, inconformado com a falta de unidade entre as forças de esquerda sociologicamente maioritárias, tem dificuldade em conter a raiva ante as insondáveis uniões divisionistas e divisões unitaristas do PS?

Por três razões. Primeiro, sentimento de impotência: sabe que se der um murro na mesa o único efeito possível é magoar-se, tal a incapacidade do partido em distinguir luta política de luta por cargos políticos. Segundo, sensação de perigo: o país precisa de uma alternativa política e o PS parece apostado em desistir dela antes mesmo de tentar. Terceiro, inconformismo ante o desperdício da oportunidade: o PS tem algum potencial para reinventar-se como partido de esquerda, um potencial muito limitado e problemático, mas mesmo assim existente.

Só esta última razão permite transformar a raiva em esperança, mesmo que esta mal se distinga do desespero. Dois factos bloqueiam esse potencial e outros dois podem activá-lo. O primeiro bloqueio decorre da qualidade dos líderes. A estatura de Mário Soares criou uma sombra difícil de dissipar. Os líderes que se seguiram distinguiram-se mais pela integridade ética do que pela coragem política (Vítor Constâncio, Jorge Sampaio e António Guterres). O mais lúcido e corajoso de todos, Ferro Rodrigues, foi assassinado politicamente de forma sumária e vergonhosa.

O segundo bloqueio advém da perda de cultura socialista (e até de cultura geral) entre os dirigentes, o que amortece as clivagens políticas e aguça as clivagens pessoais. Quem não for militante do PS não entende a hostilidade entre José Sócrates e António José Seguro, quando ambos são produto da mesma terceira via (entre capitalismo e capitalismo) que vergou os partidos socialistas europeus às exigências do neoliberalismo e os fez vender a alma do Estado de bem-estar social. Seguro está condenado a continuar Sócrates em piores condições. Causa arrepios pensar que não frustrará as expectativas apenas por estas serem nulas.

O primeiro facto potenciador de transformação no PS é o contexto europeu e mundial. O Sul da Europa, o Médio Oriente e o Norte de África são as faces mais visíveis da vertigem predadora de um capitalismo selvagem que só se reconhece na extracção violenta dos recursos humanos e naturais. É agora mais visível que o socialismo democrático foi construído contra a corrente, com muita luta e coragem que a Guerra Fria foi tornando desnecessárias. Tornou-se então claro que a coragem e a vontade de luta dos socialistas se tinham transformado, elas próprias, num instrumento da Guerra Fria, capazes de se exercitar contra comunistas e esquerdistas mas nunca contra capitalistas. É bem possível que não sejam os socialistas a reinventar o socialismo democrático. Uma coisa é certa: a ideia de um outro mundo possível nunca foi tão urgente e necessária, e reside nela a última reserva democrática do mundo.

O segundo facto potenciador é que os socialistas portugueses já mostraram estar conscientes de que qualquer vitória que o actual líder lhes proporcione a curto prazo será paga no futuro com pesadas derrotas. Os militantes socialistas jovens e pobres - que (ainda não enriqueceram no governo nem nas empresas - leram com atenção o livro de António Costa, Caminho Aberto, publicado em 2012, e ficaram tão impressionados como nós com a experiência governativa, lucidez política, capacidade de negociação com adversários, revelada pelo autor num livro que retrata como poucos o Portugal político dos últimos 20 anos e abre pistas luminosas sobre os desafios que a sociedade portuguesa enfrenta. Devem sentir, como nós, a dificuldade em conter a raiva.

Poderão dar um murro na mesa e terem algum efeito além de se magoarem? A tragédia do socialismo democrático actual é ser um fogo apagado que só reacende as brasas quando troca a coragem política pela ética, como se a coragem política não fosse eminentemente ética.


Fonte: Revista VISÃO

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Notícia(s) do Dia: Quadro da ANA detido por favorecer adjudicação de obras



Quadro da ANA detido por favorecer adjudicação de obras


A Polícia Judiciária (PJ) deteve um quadro da ANA - Aeroportos de Portugal por suspeitas de favorecimento em adjudicações de obras públicas a troco de dinheiro pago pelos construtores a quem as empreitadas eram atribuídas.

"O funcionário era responsável pela recepção e análise das candidaturas dos concursos públicos para obras e reparação de infra-estruturas no aeroporto de Lisboa. A troco de luvas e de comissões, favorecia determinadas empresas de construção civil, a quem eram feitos depois os ajustes directos ou adjudicadas as empreitadas", explicou hoje à agência Lusa fonte ligada à investigação.

A mesma fonte acrescentou que, em causa, estão vários contratos celebrados nos últimos seis meses, de valores entre os 10 e os 100 mil euros. O suspeito recebia alegadamente dos empreiteiros, com quem manteria uma relação próxima, uma percentagem do valor total de cada uma das obras.

Num dos casos - que culminou com a sua detenção - o funcionário terá recebido 25% de uma empreitada adjudicada por 10 mil euros.

O técnico, com cerca de 40 anos, trabalhava na área dos projectos e património imobiliário da ANA e foi detido na segunda-feira, na sequência de buscas realizadas nas instalações da empresa que gere os aeroportos nacionais, e domiciliárias.

A mesma fonte acrescentou à Lusa que o homem é o único visado e suspeito no processo, não havendo indícios de qualquer ligação a outros trabalhadores da empresa.

O homem está indiciado pela presumível prática de crimes de corrupção para ato ilícito.

A investigação esteve a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, num inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

O detido vai ser presente ao juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial e aplicação de eventuais medidas de coação.

Fonte: Lusa/SOL

Imagem do Dia... Um relâmpago atinge a catedral de São Pedro (Será mesmo verdade?????)




Um relâmpago atinge a catedral de São Pedro no mesmo dia em que Bento XVI anunciou que vai resignar. A imagem está a correr o Mundo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

À Volta com a Economia: Barclays fecha 100 agências em Portugal



Barclays fecha 100 agências em Portugal


O Barclays vai anunciar uma reestruturação da operação em Portugal na área do retalho que passa pelo encerramento de 100 agências.


Estes cortes para Portugal deverão ser conhecidos esta terça-feira, no âmbito de um plano de reestruturação mais alargado que prevê ainda, segundo o jornal britânico Financial Times, a supressão de dois mil postos de trabalho só na banca de investimento.

Contactado pela Lusa, fonte oficial do Barclays não quis comentar. "As informações que temos é que os cortes em Portugal vão atingir entre 300 a 400 trabalhadores, tendo sido decidido o encerramento de cerca de 100 agências" bancárias, disse uma fonte do banco à Lusa, que pediu para não ser identificada.

Trata-se de "uma redução de mais de um terço das agências que o banco tem em Portugal", sublinhou a mesma fonte. Em 2012, tal como a Lusa noticiou a 22 de fevereiro, o Barclays encerrou 19 das suas 279 agências em Portugal, na sequência do plano de redução da base de custos no país. Na altura, fonte oficial do banco disse à Lusa que esta redução da rede não implicava despedimentos, mas confirmou a abertura de um plano de rescisões amigáveis, que teve a adesão de cerca de 200 trabalhadores.

O Barclays está em Portugal desde 1981 e entre 2009 e 2011, no âmbito de um plano de expansão no país, abriu cerca de 100 agências. O banco emprega em Portugal cerca de dois mil trabalhadores. Segundo fonte do banco, estes novos cortes na banca de retalho - que vão, então, para além dos já previstos na banco de investimento - vão estender-se a mais países da Europa, nomeadamente Espanha.

A edição de hoje do jornal Financial Times avança que o banco britânico vai cortar custos na ordem de 2.000 milhões de libras (2.337 milhões de euros) e 2.000 postos de trabalho, uma redução que será focada nas operações do banco de investimento, sobretudo na Ásia.

Além disso, refere o jornal, serão ainda reduzidas operações na banca comercial e de retalho em alguns países europeus, como em Itália. O Grupo Barclays apresenta as suas contas na terça-feira em Londres, quando deverá ser conhecido oficialmente, e ao longo do dia país a país, o seu plano de reestruturação.

Fonte: ECONÓMICO

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Às Voltas com a Memória: JOSÉ SARAMAGO (n. 16 Nov.1922; m. 18 Jun.2010)



José de Sousa Saramago nasceu na vila de Azinhaga, a 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento, no concelho da Golegã, de uma família de pais e avós agricultores. A sua vida é passada em grande parte em Lisboa, para onde a família se muda em 1924 – era um menino de apenas dois anos de idade. Dificuldades económicas impedem-no de entrar na universidade. Demonstra desde cedo interesse pelos estudos e pela cultura, sendo que esta curiosidade perante o Mundo o acompanhou até à morte. Formou-se numa escola técnica. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico. Fascinado pelos livros, visitava, à noite, com grande frequência, a Biblioteca Municipal Central — Palácio Galveias. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi director-adjunto do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado, em segundas núpcias, com a espanhola Pilar del Río, Saramago viveu na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'iago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem.

O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.

Aos 25 anos, publica o primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970. Nessa época, Saramago era funcionário público. Viveu, entre 1970 e 1986 com a escritora Isabel da Nóbrega. Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à morte. Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstói e Baudelaire, entre outros.

Depois de Terra do Pecado, Saramago apresentou ao seu editor o livro Clarabóia que, depois de rejeitado, permaneceu inédito até 2011. Persiste, contudo, nos esforços literários e, dezanove anos depois, funcionário, então, da Editorial Estudos Cor, troca a prosa pela poesia, lançando Os Poemas Possíveis. Num espaço de cinco anos, publica, sem alarde, mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). É quando troca também de emprego, abandonando a Estudos Cor para trabalhar no Diário de Notícias (DN) e, depois, no Diário de Lisboa. Em 1975, retorna ao DN como Director-Adjunto, onde permanece por dez meses, até 25 de Novembro do mesmo ano, quando os militares portugueses intervêm na publicação (reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos) demitindo vários funcionários. Demitido, Saramago resolve dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista: "(…) Estava à espera de que as pedras do puzzle do destino – supondo-se que haja destino, não creio que haja – se organizassem. É preciso que cada um de nós ponha a sua própria pedra, e a que eu pus foi esta: "Não vou procurar trabalho", disse Saramago em entrevista à revista Playboy, em 1995.

Da experiência vivida nos jornais, restaram quatro crónicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976. Mas não são as crónicas, nem os contos, nem o teatro o responsável por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque – esta missão está reservada aos seus romances, género a que retorna em 1977.

Três décadas depois de publicado Terra do Pecado, Saramago retornou ao mundo da prosa ficcional com Manual de Pintura e Caligrafia. Mas ainda não foi aí que o autor definiu o seu estilo. As marcas características do estilo "saramaguiano" só apareceriam com Levantado do Chão (1980), livro no qual o autor retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo.

Dois anos depois de Levantado do Chão (1982), surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. Nele, Saramago misturou factos reais com personagens inventados: o rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão, com a misteriosa Blimunda e o operário Baltazar, por exemplo. O contraste entre a opulenta aristocracia ociosa e o povo trabalhador e construtor da história servem de metáfora à medida da luta de classes marxista. A crítica brutal a uma Igreja ao serviço dos opressores inicia a exposição de uma tentativa de destruição do fenómeno religioso como devaneio humano construtor de guerras.

De 1980 a 1991, o autor trouxe a lume mais quatro romances que remetem a factos da realidade material, problematizando a interpretação da "história" oficial: O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), sobre as andanças do heterónimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A Jangada de Pedra (1986), em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica soltando-se da Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; História do Cerco de Lisboa (1989), onde um revisor é tentado a introduzir um "não" no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido; e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino e onde, a fundo, questiona o lugar de Deus, do cristianismo, do sofrimento e da morte.

Nos anos seguintes, entre 1995 e 2005, Saramago publicou mais seis romances, dando início a uma nova fase em que os enredos não se desenrolam mais em locais ou épocas determinados e personagens dos anais da história se ausentam: Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Nessa fase, Saramago penetrou de maneira mais investigadora os caminhos da sociedade contemporânea, questionando a sociedade capitalista e o papel da existência humana condenada à morte.

A ida para Lanzarote conta mais sobre o escritor do que deixa transparecer a justificativa corrente (a medida censória portuguesa). Com o gesto de afastamento rumo à ilha mais oriental das Canárias, Saramago não apenas protesta ante o cerceamento, como finca raízes num local de geografia inóspita (trata-se de uma ilha vulcânica, com pouca vegetação e nenhuma fonte de água potável). A decisão tem um carácter revelador, tanto mais se se levar em conta que, neste caso, "mais oriental" significa dizer mais próximo de Portugal e do continente europeu.

Mesmo em dias de hegemonia do pensamento pró-mercado, Saramago guardava um olhar abrigado numa ilha europeia mais próxima da África que do velho centro da civilização capitalista. Sempre atento às injustiças da era moderna, vigilante das mais diversas causas sociais, Saramago não se cansava de investir, usando a arma que lhe coube usar, a palavra. "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome.", diz o eu lírico do poema saramaguiano "Fala do Velho do Restelo ao Astronauta" (do livro Os Poemas Possíveis, editado em 1966).

Saramago faleceu no dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio, vítima de leucemia crónica. O escritor estava doente havia algum tempo e o seu estado de saúde agravou-se na sua última semana de vida. O seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. As cinzas do escritor foram depositadas aos pés de uma oliveira, em Lisboa em 18 de Junho de 2011.

À Volta com a Vida: Carlos Cruz vai mesmo voltar para a cadeia (Irá? Parece que ainda existe recurso para o Tribunal Europeu...palhaçada)



Carlos Cruz vai mesmo voltar para a cadeia

O Tribunal Constitucional indeferiu o recurso interposto pela defesa de Carlos Cruz , pelo que o ex-apresentador e demais arguidos vão ter de voltar à cadeia.

O advogado do ex-apresentador Carlos Cruz, Ricardo Sá Fernandes, foi notificado esta sexta-feira de manhã do indeferimento do recurso apresentado no Tribunal Constitucional, no âmbito do Caso Casa Pia, e vai deixar que o mesmo transite em julgado.

A garantia foi dada hoje pelo próprio à agência Lusa.

"Vou deixar transitar o acórdão", afirmou Ricardo Sá Fernandes, acrescentando que tinha acabado de ser notificado pelo Tribunal Constitucional, onde já te tinha deslocado esta manhã, onde pôde ver o acórdão.

Condenado a seis anos de prisão, Carlo Cruz apresentou um recurso que foi agora indeferido pelo Tribunal Constitucional. O mesmo terá acontecido aos recursos interpostos por Jorge Ritto, Manuel Abrantes e Ferreira Diniz, condenados, respectivamente, a seis, cinco e sete anos de prisão.

A decisão do TC implica que o processo volte ao tribunal de primeira instância nos próximos dias para que a juíza Ana Peres proceda à emissão dos mandados de prisão.


Fonte: Revista VISÂO

Imagem do Dia...Forte de Elvas saqueado

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Imagem do Dia...Celebração do "Kumbh Mela" nas margens do Rio Ganges em, Allahabad, Índia

Às voltas com a Política: Franquelim Alves esqueceu-se que afinal era um herói (Nem mais...a mentira ao mais alto nível!)



Franquelim Alves esqueceu-se que afinal era um herói



E, de um dia para o outro, o spin governamental tentou transformar Franquelim Alves num herói. Afinal, foi este administrador da SLN que desmascarou a fraude a que ali se assistia, diz o governo que tem como principal conselheiro oficioso Dias Loureiro.

Posso ter estado distraído. É possível que o incómodo de Nuno Melo, que foi, com João Semedo e Honório Novo, um dos mais ativos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, com esta nomeação, também resulte de alguma distração. Mas lembro-me, lembram-se todos, que foi o mesmo Franquelim Alves que disse, nas mesmíssima comissão, que não denunciou gravíssimos factos, que constituíam crime, às autoridades competentes. E que estava arrependido da sua omissão cúmplice.

O ministro Álvaro veio informar, depois de ter passado a mesma informação para os jornais, que Franquelim Alves enviou uma carta ao Banco de Portugal, a 2 de Junho de 2008, em que denunciava a existência do Banco Insular. "Quando se começaram a detectar irregularidades, Franquelim Alves foi das pessoas que dentro da SLN ajudaram a desmascarar a fraude", disse o ministro da Economia, acrescentando: "Se não fossem pessoas como Franquelim Alves, que estavam dentro da SLN, não seria possível ter identificado de uma forma tão eficaz aquilo que se passou".

Estranhamente, tal a sua humildade e espirítio de sacrfício, não lhe ocorreu gabar-se disso na comissão de inquérito. Mas, afinal, tal carta foi enviada por Abdul Vakil. E não passava de uma resposta tardia ao Banco de Portugal. Ou seja, Franquelim Alves tinha razão quando confessou no Parlamento que não tinha denunciado coisa nenhuma.

O desnorte do governo e o desespero por o País ainda não estar completamente a dormir, levaram a esta coisa extraordinária: inventar o herói, atribuir-lhe uma coragem que não teve, não hesitando mesmo em inventar factos e neles desmentir o próprio visado. O governo entrou na fase terminal da sua mitomania.



Fonte: EXPRESSO Online

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O Mundo que nos Rodeia: Oposição alemã exige demissão imediata de ministra que perdeu título de doutora (Ora bem, e apenas plagiou a tese, não comprou o curso, que tal sr.Relvas!)



Oposição alemã exige demissão imediata de ministra que perdeu título de doutora


A oposição alemã exigiu, esta quarta-feira, a demissão imediata da ministra da Educação e Ciência, Annette Schavan, depois de a Universidade de Düsseldorf lhe ter retirado o título de doutora, por plágio de grande parte da tese.


A senhora Schavan já não tem credibilidade como ministra. Deve arcar com as consequências. O padrão é o igual para todos", afirmou a secretária-geral do Partido Social-Democrata (SPD), Andrea Nahles, em declarações publicadas pelo jornal "Die Welt".

A mesma ideia foi transmitida pela líder parlamentar dos Verdes, Renate Kühnast, que, em declarações ao jornal Tagesspiegel, afirma estar confiante de que Schavan se vai "poupar a si própria e à ciência de um prolongamento deste escândalo e que apresentará a sua demissão".

O Conselho Académico da Universidade de Düsseldorf, situada no oeste da Alemanha, declarou, esta madrugada, inválido o título obtido há 33 anos, tendo decidido - com 12 votos a favor, dois contra e uma abstenção - retirar o título de doutora à ministra, informou o presidente da entidade, o professor Bruno Bleckmann.

O Conselho da Faculdade de Filosofia considerou ter provado que Schavan, de 56 anos, incluiu "de forma sistemática e premeditada" na sua tese de doutoramento um trabalho intelectual que não é da sua autoria.

A ministra democrata-cristã, que se encontra na África do Sul em viagem de trabalho, vai recorrer da decisão, anunciaram os seus advogados.


Fonte: JORNAL DE NOTÍCIAS

Às voltas com a VODAFONE: PT faz aliança com britânicos para avançar com pagamentos por telemóvel

Às voltas com a política: Coordenação entre Governo, PSD e CDS-PP "é perfeita" (Alguém acredita? NÃO!)



Coordenação entre Governo, PSD e CDS-PP "é perfeita"


Miguel Relvas diz que a coordenação entre Governo e as bancadas do PSD e do CDS-PP "é perfeita".
O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considerou ontem que a coordenação entre o Governo e as bancadas parlamentares do PSD e do CDS-PP "é perfeita".

Miguel Relvas reuniu-se ontem, durante mais de duas horas, com os líderes parlamentares do PSD, Luís Montenegro, e do CDS-PP, Nuno Magalhães, e com os coordenadores dos dois partidos nas várias comissões parlamentares, para um balanço do trabalho da maioria na Assembleia da República.

"A coordenação entre o Governo e os dois partidos da maioria é perfeita no Parlamento", declarou o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares aos jornalistas, no final desta reunião, com Luís Montenegro e Nuno Magalhães ao seu lado.

Questionado se a coordenação entre PSD e CDS-PP funciona da mesma forma no interior do Governo, Miguel Relvas respondeu: "Funciona, também". No que respeita à reforma do Estado, o ministro lamentou que a oposição, em particular o PS, tenha recusado fazer "o contraditório" das propostas da maioria PSD/CDS-PP, apresentando as suas posições sobre a matéria, numa comissão parlamentar criada
especificamente para esse efeito.

Miguel Relvas acrescentou que espera "que o consenso venha a prevalecer" e que todos contribuam para o debate sobre a reforma do Estado.

Fonte: Diário Económico

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Poeta é um fingidor



NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que eu sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu"?
Deus sabe, porque o escreveu.



Análise do poema "Não sei quantas almas tenho"

Este poema em análise é claramente um poema de reflexão por parte de Fernando Pessoa, e não tanto um poema de análise psicológica da sua mente. Dizemos isto recordando certas passagens do poeta em que este recorda ler o que escreveu com grande estranheza - é como se a sua obra lhe fosse estranha, quando ele percorre as páginas do seu passado.

Devemos compreender que em Pessoa a obra se confunde com a vida. Aliás, em determinados momentos Pessoa abdica da vida em favor da obra (o exemplo maior terá sido Ophélia, a sua única namorada conhecida).

É pois nesta perspectiva que - pensamos - este poema deve ser lido. Imaginemos Pessoa sentado perto da sua arca de inédito, num dos últimos meses de vida, relendo as páginas de há 5, 10, 20 anos... e o que lia ele, senão passagens quase irreconhecíveis, de outros «eus», que não ele mesmo.

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Esta primeira estrofe mostra aspectos da famosa despersonalização de Fernando Pessoa. Ele diz não saber quantas almas tem, porque mudou a cada momento. Esta instabilidade é, no entanto, uma instabilidade de vida e não tanto uma instabilidade de "almas". Certo é que Pessoa, por sempre se expressar por outras vozes (heterónimas ou psudónimas), neste momento já não se reconhece - tudo lhe foi sempre estranho, porque colocou sempre em outras vozes os seus problemas. Esta exteriorização das coisas na sua vida torna-o estranho à própria vida - parece-lhe que foi outro que a viveu. Claro que este sentimento é uma protecção psicológica de Pessoa, de se recolher para dentro para não sofrer com a solidão.

A expressão "De tanto ser, só tenho alma", sendo curiosa, parece de fácil expressão. Pessoa quer dizer que não sente ter vida, mas só alma - ou seja, a sua vida foi (e é) toda pensada, toda racionalizada. Como sempre passou para pensamento tudo o que lhe acontecia, tudo o que sente é na alma, e parece que nada sente no corpo. Esta divisão corpo/alma é essencial no todo da obra de Pessoa e reflecte uma das características da mesma - a extrema racionalização, o reduzir de todos os impulsos a uma inteligência recusando as emoções puras.

Mas Pessoa sabe que a vantagem de tudo ser inteligência tem desvantagens: "Quem tem alma não tem calma", diz ele. Quer dizer que quem pensa não tem paz - eis um novo princípio de grande importância: é inconciliável pensar e viver, ou se vive sem pensar ou se pensa sem viver. Viver a vida ou pensar a vida é um oposto que sempre desafia Pessoa.

"Quem vê é só o que vê, / Quem sente não é quem é," marca ainda mais esta oposição viver/pensar. "Quem vê" é aquele que vive só a vida e não a pensa (sente). "Quem sente não é quem é" - quer dizer que o pensamento impede a acção na vida. Reforça o que dissemos anteriormente, que viver e pensar se tornam inconciliáveis.

Atento ao que eu sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Pessoa sentindo essa oposição pensar/viver transforma-se no papel, nas personagens dos seus heterónimos. E os heterónimos nascem das necessidades da sua vida - são filtros para o que vai acontecendo. À medida que são apresentados desafios a Pessoa, ele enfrenta-os indirectamente pelos seus filtros literários, pelas suas personagens literárias. Por isso ele diz que os sonhos e desejos é "do que nasce" e não dele. Ele como que apenas assiste à passagem da sua vida, porque se recusa vivê-la simplesmente. Tudo é analisado, dissecado, e tudo por isso se torna falso, uma ilusão de realidade simbolizada.

Pessoa é "diverso, móbil e só". Ou seja, multiplica-se, viaja, e está no final sozinho, sem salvação. Esta instabilidade, redução do um aos muitos, acaba por significar que ele deixa de sentir - "Não sei sentir-me onde estou". A vida é-lhe estranha e como a vida os sentimentos. Deixar de sentir é também deixar de viver - é alienar-se de tudo, proteger-se da vida, dos perigos, de tudo, para se recolher dentro de si, e por detrás dos seus personagens literários.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu"?
Deus sabe, porque o escreveu.

"Alheio" ele lê então "como páginas" o seu "ser". Isto reforça o que vimos dizendo. A sua vida confunde-se com a sua obra - tanto que Pessoa diz ler como páginas o seu ser. A vida foi racionalizada, foi reduzida a linguagem escrita, transferida para os seus personagens literários, que acabam por viver a sua vida por si, por deixá-lo a um canto, reduzido quase a nada enquanto individualidade.

Pessoa-ele-mesmo apenas prevê e esquece. É uma espécie de pivot, de centro físico de tudo o resto, mas quase sem actividade. Ele é apenas uma "nota à margem" do livro que foi a sua vida. Alheio ao seu Destino (foi Deus que o escreveu), ele já não distingue quem nele viveu as coisas.

Retiremos deste poema a grande solidão de Pessoa - já reduzido a apenas uma nota de margem na vida (e na sua obra). Pessoa era a pessoa real, passando o pleonasmo, mas aqui torna-se evidente que a pessoa real foi obliterada, desmultiplicada em muitos outros, até que quase nada restasse do original. Nada para pensar, e sobretudo nada que sentisse o mundo à sua volta. Pessoa-ele-mesmo morreu para o mundo e já nada sente, e sobretudo o que sente é que a vida já não pode ser vivida senão por intermédio de um outro seu. E isto quer dizer que nele mesmo a esperança de viver estava definitivamente perdida.

À Volta com a Vida: Santos Pereira questionado sobre nomeação de Franquelim Alves (Lembram-se do caso BPN? É o país que temos)



Santos Pereira questionado sobre nomeação de Franquelim Alves


O Bloco de Esquerda vai questionar hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, sobre a nomeação de Franquelim Alves para secretário de Estado do Empreendedorismo.

O ministro tem audição marcada hoje de manhã na Comissão de Segurança Social e Trabalho, ao abrigo do Regimento da Assembleia da República que estabelece que os ministros "devem ser ouvidos em audição pelas respectivas comissões parlamentares pelo menos quatro vezes por cada sessão legislativa".

A comissão de Economia, que reúne igualmente hoje de manhã, deverá chumbar um requerimento do BE para que Álvaro Santos Pereira fosse àquela comissão esclarecer a nomeação do antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios, já que PSD e CDS-PP anunciaram que votariam contra.

O agendamento potestativo da ida de Álvaro Santos Pereira ao Parlamento não está excluído por parte do BE, mas só será decidido se o ministro da Economia não prestar esclarecimentos sobre a nomeação de Franquelim Alves quando o Bloco o questionar sobre essa matéria na comissão parlamentar de Segurança Social e Trabalho.

A coordenadora do BE Catarina Martins defendeu na terça-feira que "os portugueses têm de saber como é que o Governo pode ter um elemento que faz parte do maior crime financeiro que foi cometido em Portugal e que continua a custar milhares de milhões de euros aos portugueses, a quem estão a ser impostos tantos sacrifícios".

Lusa/SOL

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

À Volta com a Vida: O caso da deputada bêbeda



O caso da deputada bêbeda


Para usar um jargão idiota, o caso da deputada bêbeda tem três camadas de leitura. Na primeira camada, à superfície, podemos observar que esta estória foi mais uma acha para a fogueira populista. O Mr. Tuga adora odiar a política e os políticos, sobretudo os deputados, esses cochiladores profissionais. Repare-se que este sentimento não produz críticas a políticos ou políticas em concreto. Nada disso. Este ódio é uma bulldozer. A malta saliva contra "eles", "eles" são os culpados por tudo; bastava que "eles" ficassem sem as reformas e sem os motoristas para que "isto fosse ao sítio". Através deste populismo, Mr. Tuga pode pensar que "eles" são os únicos culpados, a sociedade não tem culpa, as famílias não têm culpa, as pessoas não têm culpa. A culpa é só "deles".

Na segunda camada, encontramos o óbvio ululante: Glória Araújo devia ter pedido a demissão, mas não pediu. A dra. Araújo não conhece o significado da expressão prestação-de-contas. E o PS também não. Quando um deputado é apanhado com uma taxa de alcoolemia de taberneiro, o partido desse deputado só tem um caminho: mostrar a porta da rua ao bebedolas. Nada disto aconteceu. A falta de vergonha da Dr. Araújo e a falta de vergonha institucional do PS elevaram a vida da pátria a novos níveis de comicidade. Sim, comicidade. O riso é, aliás, a marca da terceira e última visão sobre este caso.

Quando ouvi a estória pela primeira vez, desatei a rir. O meu primeiro instinto não foi a indignação, foi a risota, e aposto que não fiquei sozinho. Nos dias seguintes, as conversas sobre o assunto também acabaram na risota. Ora, a diferença está aqui: uma conversa entre americanos ou alemães sobre um caso semelhante nunca acaba no gozo, acaba mesmo em indignação, em accountability, em gesellschaft, em pedidos de demissão. Perdemos nesta comparação? Sim, por 5-0. Em Portugal, as pessoas só se indignam a sério quando o assunto cheira a dinheiro. Uma deputada bêbeda, bah, um pormenor. É mau? Sim. Tenho vergonha disto? Tenho. Mas esta moleza portuguesa tem um lado positivo: não somos puritanos. Acompanhar a política americana é o mesmo que acompanhar uma cascata de casos pessoais (amorosos e de outra espécie) sem relação com a esfera pública. A perseguição da cama alheia transforma a atmosfera pública dos EUA numa coisa infantil. E, atenção, esta infantilidade gera casos tão patéticos como a não-demissão da nossa deputada bêbeda.

Fonte: ESPRESSO Online

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Imagem do Dia... Nova Iorque: Estação Grand Central faz 100 anos


Um século

É uma das estações mais famosas do mundo e uma das atrações turísticas de Nova Iorque. A estação Grand Central completou 100 anos a 2 de fevereiro.

À Volta com a Economia: Hollande: "Não há ainda condições para acordo do orçamento da UE"



Hollande: "Não há ainda condições para acordo do orçamento da UE"


A poucos dias da próxima cimeira em Bruxelas, o presidente francês reconhece que "as negociações são muito difíceis".

O Presidente da França, François Hollande, afirmou hoje que "não estão ainda reunidas" as condições para um acordo sobre o orçamento da União Europeia 2014-2020 na próxima cimeira em Bruxelas nas próximas quinta e sexta-feira.

"As negociações são muito difíceis. Nós faremos tudo para que no próximo conselho europeu, possamos encontrar um acordo, mas as condições não estão reunidas", disse Hollande.

O presidente francês falava no Palácio do Eliseu, em Paris, ao lado do primeiro-ministro italiano, Mario Monti.


Parlamento Europeu "antecipa" cimeira


A sessão plenária do Parlamento Europeu, que decorre entre segunda e quinta-feira na cidade francesa de Estrasburgo, vai ser dominada pelo debate sobre o próximo Conselho Europeu, destinado a alcançar um acordo sobre o orçamento comunitário plurianual.

Além do debate de quarta-feira no hemiciclo, o outro ponto alto da sessão será a primeira visita à assembleia do presidente francês, François Hollande, desde a sua eleição em maio do ano passado, para uma discussão sobre o futuro da UE e da zona euro, com o presidente da Comissão, Durão Barroso, e os líderes dos grupos políticos do Parlamento.

A semana será todavia marcada pela cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, a segunda tentativa para se chegar a um acordo sobre o orçamento da União para o período 2014-2020, depois de uma primeira tentativa fracassada em Novembro de 2012, pelo que as atenções estão centradas no debate que se realiza no hemiciclo de Estrasburgo na véspera do arranque da cimeira.

No debate em plenário, os eurodeputados deverão avisar os líderes europeus que, quantos mais cortes forem feitos à proposta inicial, menos provável será a aprovação do quadro financeiro plurianual pelo Parlamento Europeu, que tem poder de veto sobre o quadro financeiro plurianual e tem defendido a necessidade de um financiamento adequado e de flexibilidade entre rubricas.

A presidência irlandesa do Conselho vai ser representada no debate por Lucinda Creighton, ministra dos Assuntos Europeus, e a Comissão por Janusz Lewandowski, comissário com a pasta do Orçamento.


Fonte: EXPRESSO Online