sexta-feira, 27 de abril de 2012

Livros que merecem ser lidos...


Estado-Providência e Cidadania em Portugal
Juan Mozzicafreddo

O objectivo central dos trabalhos apresentados neste livro é precisamente analisar as características, funções, alcances e limites do Estado-Providência em Portugal, reflectindo sobre o papel que este desempenha na organização da sociedade e nas condições de vida dos cidadãos. A identificação dos aspectos positivos e negativos do modelo político do Estado-providência tem como intuito contribuir para uma discussão sobre o aperfeiçoamento do nosso sistema político e o desenvolvimento da cidadania.
Nos capítulos deste livro estuda-se a evolução empírica e o significado das políticas sociais, nomeadamente as de segurança e protecção social. Analisa-se a importância dos mecanismos de concepção social, os efeitos sociais resultantes dos acordos entre parceiros sociais e Estado, bem como as políticas públicas de regulação do mercado de trabalho.
Estudam-se igualmente as medidas de flexibilização do trabalho, de criação de emprego e de regulação política da actividade económica.
Finalmente, é debatido o processo de expansão dos direitos de cidadania e as suas implicações políticas, nomeadamente nos planos da reorganização das relações sociais e da redistribuição do poder político.
Livro editado por Celta Editora, em 2000, com 222 páginas, facto que revela que já na década anterior os temas agora em discussão, eram alvo de profundas análises e discussões atentas sobre o Estado-providência, a flexibilização do trabalho e os direitos de cidadania de todos. A ler, para quem quer,  compreender as evoluções que aconteceram ao longos destes onze, doze anos, que medeiam a publicação do livro e as actuais medidas que o Governo português quer impor.


Í N D I C E

Índice de quadros
Prefácio

1. ESTADO-PROVIDÊNCIA EM TRANSICÇÃO
Características do Estado-Providência
Modelo de acção do Estado-Providência
Efeitos e consequências: problemas do modelo
Considerações finais

2. POLÍTICAS SOCIAIS: ESTRATÉGIAS CONTRADITÓRIAS
Modelo do Estado-Providência
Crescimento dos gastos públicos e evolução do nível fiscal
Características e evolução do sistema de segurança social
Estruturação do sistema de saúde
À procura do consenso político
Apêndice

3. CONCERTAÇÃO SOCIAL: PROCESSOS DE INSTITUCIONALIZAÇÃO E EFEITOS SOCIAIS
O papel da concertação social
Evolução e significado dos mecanismos de concertação social
Acordos de concertação social: características e significado
Legitimidade e neocorporativismo

4. ESTADO E MERCADO
Formas político-institucionais de intervenção nas relações laborais
Selectividade nas políticas de regulação económica e laboral
Políticas de flexibilização laboral e de orientação do investimento e do emprego
Considerações finais

5. LIBERALISMO, POLÍTICA E DEMOCRACIA
Razões do debate
Dimensão pública do poder
Sobre o modelo da esfera pública liberal
Liberalismo, Estado e democracia
Em torno do espaço público democrático

6. ESTADO-PROVIDÊNCIA E CIDADANIA
Indivíduo e cidadania
Contexto político e social da expansão dos direitos de cidadania
Desenvolvimento da cidadania e organização política da sociedade
Lógica da cidadania e tensão entre os direitos instituidos
Cidadania e democracia

Fontes
Bibliografia



quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Poeta é um fingidor



Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.



Análise do poema "tenho tanto sentimento"



O poema que se inicia com "Tenho tanto sentimento", é um poema ortónimo tardio de Fernando Pessoa, escrito em 19/9/1933.

Fernando Pessoa ficou conhecido, mesmo já entre os seus contemporâneos, como um poeta iminentemente racional, frio, regido pela inteligência. E é na sua poesia ortónima (escrita em seu próprio nome) que mais transparece esta mesma lógica. Os poemas ortónimos são, em regra, os poemas mais rígidos de Pessoa, e nos quais a emoção entra menos, sendo dada uma grande prevalência à economia de palavras e ao uso regrado das figuras de estilo.


Mas isto não quer dizer que Pessoa seja sempre racional - e que esteja certo aquele raciocínio anterior. Há que recordar o que o próprio Pessoa disse sobre a sua escrita ortónima (da famosa carta a Casais Monteiro onde ele fala sobre os heterónimos):


"(...) pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação, preteridos pelo Fernando Pessoa., impuro e simples!"


Ou seja, Pessoa ortónimo era o "resto", o que sobrava dos outros, sendo que a despersonalização era exercida ao máximo em Caeiro, a disciplina tinha ido toda para Reis e a emoção toda para Campos. Pessoa-ele-próprio ficava, "impuro e simples". E é assim que devem ser lidos os seus poemas ortónimos, que estão constrangidos pela necessidade de não ultrapassarem esses limites da simplicidade imanente. É pois diferente para o Pessoa ortónimo analisar o que é o sentimento, ou para Álvaro de Campos fazer o mesmo. É mais fácil o ortónimo negar que é dominado pelo sentimento, pela emoção, do que o heterónimo engenheiro. Veremos aliás que Campos muito mais facilmente explica tudo pela emoção - é o extremo oposto do ortónimo no que à emoção diz respeito.


Mas passemos à análise estrofe a estrofe do poema propriamente dito.


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.


Nesta primeira estrofe vemos uma confirmação do que dizíamos anteriormente. A primeira sensação de Pessoa é que ele é essencialmente um emocional. Álvaro de Campos ficar-se-ia por essa primeira sensação, sendo essencialmente um intuitivo. Mas Pessoa ortónimo é, essencialmente, um contra-intuitivo, é um racional. Portanto a sua escrita tende a recusar a primeira sensação e a ter de analisar ao pormenor tudo o que sente. E, geralmente, tudo o que é sobre-analisado tende a ser destruído. É isso mesmo que ele faz, ao justificar o "tanto sentimento" apenas enquanto "pensamento, / Que não senti afinal". Esta é realmente uma racionalização ao melhor estilo Pessoano.


Mas há que reconhecer que esta racionalização não é, ela mesma, puramente intelectual. Se, por um lado, a escrita ortónima é a mais "seca", a mais "despida", também se torna por vezes a mais sincera. Podemos ver nesta estrofe que Pessoa provavelmente racionaliza a sua emoção para se proteger dos efeitos dela. A racionalização será, ao longo da sua vida, uma das armas que ele utiliza para lidar com a sua solidão e com os momentos mais negativos.


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.


Embora seja, em certa medida, uma verdade evidente - essa verdade da nossa vida se dividir entre a realidade concreta e o que nós pensamos sobre essa realidade; podemos ver que a racionalização continua, na segunda metade do poema. É o mesmo que ele escrevesse que é impossível considerar que toda a vida é feita de sofrimento, e que a vida real tem menos sofrimento do que nós pensamos, pois o sofrimento extra é imposto por nós próprios. E a vida "errada" é a que pensa a realidade e a que transforma a realidade em mais sofrimento. Trata-se quase de uma visão natural da vida, à maneira de Caeiro, pretendendo expulsar da mente humana a reflexão sobre a realidade, aceitando apenas a "vida vivida" e não a "vida pensada". Mas é claramente uma ilusão racional, pois Pessoa continua a pensar, mesmo recusando o pensamento.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

A confirmação disso mesmo - de que não é Caeiro que escreve, é bem visível na última estrofe. Pessoa confessa que é impossível saber qual é a vida real, se a "vivida" se a "pensada". Caeiro não teria dúvidas, pois para ele todo o pensamento deveria ser evitado. Mas Fernando Pessoa não é só "feito" de Alberto Caeiro. E neste caso, vemos que "vence" o Pessoa racional, o Pessoa ortónimo, que dá prevalência ao pensamento face à percepção pura dos sentidos. No final do poema Pessoa aceita que, na impossibilidade de sabermos qual é a vida verdadeira, teremos de aceitar pensar a vida. É a aceitação de que a racionalização da vida é a nossa melhor opção, sobretudo para não nos deixarmos dominar pelo sentimento. E esta é, afinal e verdadeiramente, uma opção que só o Pessoa ortónimo tomaria de tão bom grado.

Livros que merecem ser lidos...


A Revolução Grisalha
Francisco Cabrillo e M.Luísa Cachafeiro

Das ideias, do comportamento e das expectativas da população, à qual haverá que juntar a que se vai aproximando da idade de reforma, vão depender muitas coisas, no âmbito da economia, da política, da cultura. Este livro é um resumo do que a velhice representou na história da humanidade e uma previsão do que irá ser no futuro. Os autores defendem a tese de ser, de algum modo, possível, voltar a incluir as pessoas reformadas, que assim o desejem, no circuito de mercado de trabalho. Por um lado, não haverá outra alternativa, por questões democráficas. Por outro, será feita justiça a quem, todavia, tem muito para dar. A Revolução Grisalha, de uma forma ou de outra, está já em curso, e surgirá como fenómeno cultural até final do século XX e princípios do Século XXI.
Esta publicação é da PLANETA EDITORA, e data de 1990, e tem 158 páginas, mas merece a pena ler pela visibilidade dos autores, que se vem confirmando neste início de século.


Í N D I C E

Prefácio

1. ENCONTRO COM A VELHICE
Um problema actual
O que é a velhice
Porque envelhecemos
A teoria económica da família

2. A VELHICE NA HISTÓRIA
A origem da velhice
O mundo antigo
Dos Bárbaros à industrialização
A velhice nos nossos dias

3. O IDOSO NA FAMÍLIA
Um pacto entre gerações
A relação legal pais-filhos
A herança

4. A REFORMA
A reforma nem sempre satisfaz
Porquê a obrigatoriedade da reforma
A avó vai reformar-se
E se eles se tivessem reformado?

5. AS PENSÕES
Poupança e reforma
Como são financiadas as pensões
A crise da Segurança Social

6. A REVOLUÇÃO GRISALHA
Rumo a uma reforma flexível
A incompatibilidade entre a pensão e o trabalho
As leis contra a discriminação
Um novo sistema

EPÍLOGO
Uma nova velhice para uma nova sociedade

GLOSSÁRIO

terça-feira, 24 de abril de 2012

Notícia(s) do Dia: Tubarão mata bodyboarder David Lilienfeld





Tubarão mata bodyboarder David Lilienfeld


Trágico. O campeão sul-africano de bodyboard, David Lilenfeld morreu depois de ter sido vítima de um ataque de um tubarão branco, na costa da Cidade do Cabo, África do Sul. O atleta ficou sem uma perna e não resistiu aos ferimentos.

Segundo testemunhas, o tubarão teria cerca de quatro metros e, apesar das várias tentativas de Lilenfeld em defender-se com a prancha, o animal haveria de decepar a perna do bodyboarder.

Gustav, irmão mais novo da vítima, apercebeu-se de imediato do ataque e tentou trazer o atleta para a costa, mas este não resistiria aos ferimentos.

Esta tragédia está ainda envolta em polémica, já que, segundo a comunidade local, este incidente será a consequência da gravação de um documentário da ‘National Geographic’, cuja equipa terá atraído tubarões para aquela zona.


Fonte: Jornal ABOLA Online

Notícia(s) do Dia: Feira do Livro de Lisboa começa hoje com muita animação em agenda




Feira do Livro de Lisboa começa hoje com muita animação em agenda


Debates, lançamentos de livros e as concorridas sessões de autógrafos são algumas das iniciativas previstas.

Abre esta terça-feira à tarde a maior montra de livros de Lisboa. No Parque Eduardo VII, arranca mais uma edição da Feira do Livro.

Até 13 de Maio, 238 pavilhões regressam para uma edição com menos 14 pavilhões.

“Corresponde, nalguns casos, a associações de editores, que começaram a não aparecer isoladamente e, portanto, aí diminui o número de participantes, embora não diminua, na realidade, o número de editoras que estão presentes”, refere à Renascença o secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Miguel Freitas da Costa.

Além disso, todos os anos há “flutuações, de ano para ano, de participantes que vão esporadicamente”, acrescenta.

Ao todo, são 112 os participantes na maior livraria ao ar livre do país.

Para contrariar a crise, editores e livreiros desdobram-se em actividades culturais, numa programação reforçada que inclui, entre outras coisas, debates, lançamentos de livros e sessões de autógrafos.

“Tem havido um grande empenho de todos os participantes em animar o mais possível a feira e, portanto, há literalmente centenas de iniciativas que vão contribuir para tornar a feira mais interessante”, afirma Miguel Freitas da Costa.

Toda a programação está no site da Feira, que este ano terá também a Hora H, com descontos, sempre na última hora antes do encerramento.

A Feira do Livro de Lisboa vai estar aberta de segunda a quinta-feira, das 12h30 às 23h00. À sexta-feira, fecha à meia-noite, tal como ao sábado e na véspera de feridos, dias em que abre às 11h00. Aos domingos, as montras de livros podem ser visitadas entre as 11h00 às 23h00.



Fonte: Renascença ONLINE

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Notícia(s) do Dia: Cantor Robin Gibb dos Bee Gees saiu do coma




Cantor Robin Gibb dos Bee Gees saiu do coma



O cantor britânico esteve uma semana em coma, depois de ter sido afetado por uma pneumonia. O cantor britânico esteve uma semana em coma, depois de ter sido afetado por uma pneumonia.

Robin Gibb, vocalista e compositor da banda Bee Gees, saiu do estado de coma e está a apresentar melhorias no seu estado de saúde, afirmou o seu porta-voz.

O cantor de 62 anos entrou em coma na semana passada depois de ter sido afetado por uma pneumonia, mas já estava hospitalizado desde o ano passado devido a problemas no estomago e colón.

A causa da sua doença nunca foi especificada- apesar de ter sido noticiado por várias vezes que teria cancro - mas o cantor terá dito à televisão britânica BBC que tinha uma massa no cólon que foi removida.

O porta-voz do cantor, Doug Wright, disse este sábado que Robin Gibb conseguiu comunicar com a sua família (que tem acompanhado o cantor durante quase toda a sua estadia num hospital de Londres) através de movimentos com a cabeça.

Os irmãos Robin, Barry e Maurice Gibb nasceram em Inglaterra e cresceram na Austrália, mantiveram a banda em atividade durante 45 anos, até à morte de Maurice em 2003. Robin e Barry decidiram reativar a banda em 2009.

O cantor britânico esteve uma semana em coma, depois de ter sido afetado por uma pneumonia. O cantor britânico esteve uma semana em coma, depois de ter sido afetado por uma pneumonia.

Robin Gibb, vocalista e compositor da banda Bee Gees, saiu do estado de coma e está a apresentar melhorias no seu estado de saúde, afirmou o seu porta-voz.

O cantor de 62 anos entrou em coma na semana passada depois de ter sido afetado por uma pneumonia, mas já estava hospitalizado desde o ano passado devido a problemas no estomago e colón.

A causa da sua doença nunca foi especificada- apesar de ter sido noticiado por várias vezes que teria cancro - mas o cantor terá dito à televisão britânica BBC que tinha uma massa no cólon que foi removida.

O porta-voz do cantor, Doug Wright, disse este sábado que Robin Gibb conseguiu comunicar com a sua família (que tem acompanhado o cantor durante quase toda a sua estadia num hospital de Londres) através de movimentos com a cabeça.

Os irmãos Robin, Barry e Maurice Gibb nasceram em Inglaterra e cresceram na Austrália, mantiveram a banda em atividade durante 45 anos, até à morte de Maurice em 2003. Robin e Barry decidiram reativar a banda em 2009.

Fonte: Expresso ONLINE

Livros que merecem ser lidos...


A SOCIOLOGIA E O DEBATE PÚBLICO
Estudos sobre a Relação entre Conhecer e Agir
Augusto Santos Silva


Eis o livro de sociologia que procura olhar para além dela: para a interacção do conhecimento sociológico e da acção social. Partindo deste conhecimento e assumindo a autonomia que lhe é própria, mas explorando os caminhos do seu diálogo com o debate público e a intervenção intencional e reflexiva sobre o mundo. Por isso se abordam, sucessivamente, os termos do relacionamento entre ciência e cidadania; as agendas possíveis para a comunicação recíproca em domínios tão centrais como o desenvolvimento, a educação e a cultura; e os recursos e oportunidades de que dispõe a sociologia portuguesa para levar a cabo, com êxito, estas tarefas.



Í N D I C E

PARTE I: INTELECTUAIS, CIENTISTAS, CIDADÃOS
Capítulo 1: Podemos dispensar os intelectuais?
1. A formação do intelectual moderno...
2. ...e as transfromações do século XX
3. Os intelectuais, responsáveis pelo seu declínio
4. Pela crítica cultural
5. Autonomia e relacionamento
6. Conhecimento, criação, ideias

Capítulo 2: Conhecimento sociológico e acção social
1. Da contribuição da sociologia à sociedade
2. Das condições do desenvolvimento da contribuição social da sociologia
3. Da intervenção pública dos sociólogos
4. De um certo paradoxo da sociologia portuguesa

Capítulo 3: A ciência social na cidade
1. Conhecimento sociológico e agenda política
2. Condições teóricas do impacto das ciências sociais
3. Condições institucionais
4. A relação com o campo social
5. Pensar prospectivamente

PARTE II: QUESTÕES DE AGENDAS
Capítulo 4: As dimensões educativas e culturais da des/igualdade; um balanço e uma agenda
1. Igualdade e desigualdade
2. O variável impacto da educação
3. Quatro temas de uma agenda educativa
4. Educação democrática para a democracia
5. O pensamento preguiçoso também não serve na cultura
6. Trêm temas de um agenda cultural
7. Enriquecer a agenda

Capítulo 5: «Acesso» e «sucesso»: factos e debates na democratização da educação em Portugal
1. Sociologia das políticas educativas
2. A acessibilidade da educação
3. Sucesso educativo: as tendências
4. Sucesso educativa: o debate
5. Por enquanto...

Capítulo 6: Sociedade civil, democracia local e desenvolvimento
1. O objectivo
2. O desenvolvimento comunitário
3. Um capital de experiência
4. A complexidade do jogo de actores
5. Comunidade local e sociedade civil
6. Identidade
7. Participação política
8. Interpelações recíprocas

Epílogo Sobre Recursos e Dificuldades
Capítulo 7: A mudança em Portugal, vista pela sociologia portuguesa
1. Portugal, uma sociedade em mudança desde os anos 1960
2. A complexidade do processo de mudança
3. A singularidade da situação portuguesa
4. Um retrato luminoso da sociologia portuguesa...
5....que não dispensa a reflexividade crítica

Referências Bibliográficas



sexta-feira, 20 de abril de 2012

À Volta com a Vida: Jovens batem nos pais por já não lhes darem tudo



Jovens batem nos pais por já não lhes darem tudo


Uma docente de criminologia reportou hoje casos de menores que "não sabem lidar com a frustração" e agridem os pais porque estes deixaram de lhes satisfazer todos os pedidos depois de entrarem em dificuldades financeiras.


"Começa a acontecer um cenário que não era muito comum, de filhos que batem nos pais, não como resultados de processos de vitimação ligados a negligência e a famílias desestruturadas, mas porque não sabem lidar com a frustração", disse a docente de criminologia Vera Mónica Duarte.

Situações deste tipo ocorrem no seio de famílias "que há poucos anos estavam numa situação de estabilidade e que, neste momento, não podem dar aos seus filhos aquilo que durante muito tempo puderam", explicou a docente, que coordena a organização do seminário "Delinquência juvenil, explicações e implicações", a realizar sexta-feira no Instituto Superior da Maia.

Segundo a docente, este quadro pode contribuir para uma mudança de perfil na delinquência juvenil, "o que vai impor novos desafios e novas exigências ao trabalho dos técnicos, quer na prevenção, quer na intervenção".

Porventura, exigir-se-ão "respostas estruturais que muitas vezes não temos capacidade de dar no imediato", admitiu, defendendo, em todo o caso, um trabalho técnico "mais direcionado para as próprias competências parentais", com o contributo "fundamental" das escolas.

Numa análise mais geral, a coordenadora do seminário da Maia assinalou "progressos" no combate à delinquência juvenil e destacou o programa Escolhas, que visa promover a inclusão social de menores das periferias pobres.

Fonte: Agência LUSA

À Volta com a Vida: Investigadores portugueses fazem descoberta revolucionária no cancro da mama



Investigadores portugueses fazem descoberta revolucionária no cancro da mama


Carlos Caldas, do Cancer Research UK’s Cambridge Research Institute, e Samuel Aparício, da BC Cancer Agency Vancouver Canada, são co-autores do maior estudo sobre cancro de mama feito até à data. As conclusões, publicadas na revista científica Nature, são revolucionárias: existem 10 subtipos diferentes de cancro de mama. Uma descoberta que pode determinar desde o diagnóstico e tratamento certos, até ao posterior acompanhamento clínico das pacientes.

Até agora, o cancro de mama era classificado em quatro tipos diferentes, com base na observação ao microscópio da amostra de tumor extraída durante a biopsia. Assim se determinam quais as drogas e tratamentos mais eficazes para o combater. Mas, ainda assim, existem casos que surpreendem os médicos, de formas da doença que deveriam ser mais fáceis de tratar e falham, ou de mulheres que conseguem curar uma forma de cancro considerada mais agressiva.

O estudo, que analisou 2000 tumores, descobriu dez estirpes diferentes de cancro da mama. Cada tipo de tumor partilha genes semelhantes e as hipóteses de sobrevivência a ele são muito semelhantes. Descobriram-se, ainda, novos genes associados ao crescimento e disseminação do cancro. Espera-se, agora, que as descobertas revolucionárias acelerem a criação de novas drogas feitas à medida de cada diferente estirpe, mais eficazes no tratamento, e que novas esperanças de cura possam surgir para as formas de cancro mais agressivas, de disseminação mais rápida e mais resistentes à terapêutica, conhecidos como ‘triplos negativos’.

Outro dos benefícios, referem ainda os investigadores, é poupar mulheres com formas menos agressivas da doença, a tratamentos demasiado dolorosos e debilitantes.

São necessários mais estudos e talvez só dentro de três ou cinco anos as pacientes possam vir a beneficiar dos avanços feitos a partir destas descobertas. A criação de novos fármacos pode demorar ainda mais tempo, alertam os investigadores.

Todos os anos aparecem, em Portugal, cerca de 4500 novos casos desta doença, que mata 1500 mulheres (quatro óbitos por dia). Uma em cada 10 mulheres irá desenvolver cancro de mama em alguma fase da sua vida, apontam estatísticas do Instituto Português de Oncologia. Aproximadamente 90% dos cancros são ‘curáveis’, se detectados a tempo.

Fonte: ACTIVA Saúde

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Às Voltas com a Memória: ANTERO DE QUENTAL (n. 18 de Abril de 1842; m. 11 de Setembro de 1891)



COMEMORA-SE HOJE O 170º ANIVERSÁRIO DO SEU NASCIMENTO

Antero Tarquínio de Quental, nasceu na Ilha de São Miguel, Ponta Delgada, Açores, a 18 de Abril de 1842, filho do combatente liberal Fernando de Quental e de Ana Guilhermina da Maia. Durante a sua vida, Antero de Quental dedicou-se à poesia, à filosofia e à política. Iniciou os seus estudos na cidade natal, mudando-se para Coimbra aos 16 anos, ali estudou Direito e manifestou as primeiras ideias socialistas. Fundou em Coimbra a Sociedade do Raio, que pretendia renovar o país pela literatura.

Em 1861, publicou seus primeiros sonetos. Quatro anos depois, publicou as Odes Modernas, influenciadas pelo socialismo experimental de Proudhon, enaltecendo a revolução. Nesse mesmo ano iniciou a Questão Coimbrã, em que Antero e outros poetas foram atacados por António Feliciano de Castilho, por instigarem a revolução intelectual. Como resposta, Antero publicou os opúsculos Bom Senso e Bom Gosto, carta ao Exmo. Sr. António Feliciano de Castilho, e A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais.

Ainda em 1866 foi viver em Lisboa, onde experimentou a vida de operário, trabalhando como tipógrafo, profissão que exerceu também em Paris, entre Janeiro e Fevereiro de 1867.

Em 1868 regressou a Lisboa, onde formou o Cenáculo, de que fizeram parte, entre outros, Eça de Queirós, Abílio de Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão.

Foi um dos fundadores do Partido Socialista Português. Em 1869, fundou o jornal A República, com Oliveira Martins, e em 1872, juntamente com José Fontana, passou a editar a revista O Pensamento Social.

Em 1873 herdou uma quantia considerável de dinheiro, o que lhe permitiu viver dos rendimentos dessa fortuna. Em 1874, com tuberculose, descansou por um ano, mas em 1875, fez a reedição das Odes Modernas.

Em 1879 mudou-se para o Porto, e em 1886 publicou aquela que é considerada pelos críticos como sua melhor obra poética, Sonetos Completos, com características autobiográficas e simbolistas.

Em 1880, adoptou as duas filhas do seu amigo, Germano Meireles, que falecera em 1877. Em Setembro de 1881 foi, por razões de saúde, e a conselho do seu médico, viver em Vila do Conde, onde fixou residência até Maio de 1891, com pequenos intervalos nos Açores e em Lisboa. O período em Vila do Conde foi considerado pelo poeta o melhor período da sua vida: "Aqui as praias são amplas e belas, e por elas me passeio ou me estendo ao sol com a voluptuosidade que só conhecem os poetas e os lagartos adoradores da luz."

Em 1886 foram publicados os Sonetos Completos, coligidos e prefaciados por Oliveira Martins. Entre Março e Outubro de 1887, permaneceu nos Açores, voltando depois a Vila do Conde. Devido à sua estadia em Vila do Conde, foi criada nesta cidade, em 1995, o "Centro de Estudos Anterianos"

Em 1890, devido à reacção nacional contra o ultimato inglês, de 11 de Janeiro, aceitou presidir à Liga Patriótica do Norte, mas a existência da Liga foi efémera. Quando regressou a Lisboa, em maio de 1891, instalou-se em casa da irmã, Ana de Quental. Portador de Distúrbio Bipolar, nesse momento o seu estado de depressão era permanente. Após um mês, em Junho de 1891, regressou a Ponta Delgada, suicidando-se no dia 11 de Setembro de 1891, com dois tiros, num banco de jardim junto ao Convento da Esperança, no Campo de São Francisco.

Os seus restos mortais encontram-se sepultados no Cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada.

Notícia(s) do Dia: Discurso de Passos Coelho cai mal entre os militares (Não admira!!!)



Discurso de Passos Coelho cai mal entre os militares



Primeiro-ministro pediu aos militares que sejam patriotas e tenham "um sentido agudo das realidades", mas estes acusam-no de ter um discurso vago e contraditório face ao que se passa nas Forças Armadas.

"Os militares são patriotas, não precisam que alguém venha dizê-lo. Juraram defender uma bandeira, se necessário com a própria vida", afirma ao Expresso o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), o coronel Manuel Pereira Cracel, criticando as declarações do primeiro-ministro durante uma visita à Base Aérea do Montijo.

Pedro Passos Coelho lançou segunda-feira um apelo às Forças Armadas para que "permaneçam fiéis a si próprias e às suas virtudes, que tão distintamente cultivam, a coragem, a honra, a sacralidade do dever, a lealdade, o patriotismo e o serviço aos bens comuns do povo português, por tudo isto sabemos que é devida uma especial atenção e consideração ao tratamento da condição militar".

A realidade e o discurso do primeiro-ministro estão em "perfeita contradição", denuncia ao Expresso Pereira Cracel, sublinhando que "até cai mal alguém vir apelar ao patrotismo dos militares, subentendendo-se de que padecem de algum problema dessa natureza".

Para o chefe de Governo, é indispensável que "a instituição se prepare para novos desafios e conjunturas", exigindo aos militares "um sentido agudo das realidades e das restrições que pesam sobre o país".

Para o presidente da AOFA, o tratamento atribuído às Forças Armadas parece ter o objetivo delineado no sentido da "descaracterização e desarticulação".

"As Forças Armadas têm sido alvo de uma permanente e constante desconsideração", defende o dirigente associativo, enunciando como exemplo os cortes de 30% nas verbas para a despesa e na doença dos militares, que será de 20% em 2013, seguindo-se o seu autofinanciamento até 2016.

O dirigente destaca a condição "diferente" dos militares, sendo o "único sócio-profissional que dá a sua vida, se for necessário e sem outra contrapartida que não o seu salário". E na sua opinião trata-se de "um salário modesto".

"As Forças Armadas estão próximas da paralisia"

As afirmações de Passos Coelho também causaram surpresa ao bispo das Forças Armadas pois "há muito tempo que os militares foram preparados para novos desafios, para a visão da realidade" e "sempre o fizeram".

Dom Januário Torgal Ferreira diz ao Expresso que "o sistema militar nunca viveu acima das suas possibilidades, com mordomias ou exageros". Pelo contrário, "viveu sempre num clima de grande austeridade".

"Ao deixar no ar que têm que estar preparados para restrições dá impressão que nunca as tiveram e não querem acompanhar o ritmo da sociedade, quando têm tido implacáveis restrições como os outros", critica.

O Expresso contatou ainda o antigo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, o general Loureiro dos Santos, para quem o discurso do primeiro-ministro "não têm novidade nenhuma".

"Disse que os militares têm que estar preparados para fazer o que é necessário fazer, e faz parte da missão dos militares, e disse que o Governo vai respeitar a condição dos militares, o que também está na lei", sintetizou o general.

Questionado sobre se Passos Coelho terá deixado um aviso, responde: "Eu não posso ser adivinho, se disse porque é óbvio ou se tem algo que pretende fazer ou propor aos militares".

Todavia, Dom Januário Torgal Ferreira considera que se trata de "um prefácio ressequido, uma preparação matreira - mas acho que a opinião pública já há muito tempo apanhou o jogo -, para dizer que têm que apertar o cinto e preparem-se para as restrições".

Pereira Cracel garante que "a condição militar tem vindo, ao longo do tempo, a ser desprezada" e as "as Forças Armadas estão próximas da paralisia, sem dinheiro para combustíveis, para a sua manutenção e funcionamento". Uma situação agravada com os cortes nas remunerações e promoções.



Governo limita-se a "comunicar"


Pereira Cracel garante que há militares sem "condições mínimas", com os salários penhorados e a situação atinge "desde os escalões mais baixos aos mais altos".

As medidas "nada têm a ver com quem deve compreender" a condição dos cidadãos que são militares - defende -, e cuja "capacidade de intervenção e reivindicação está condicionada".

Segundo o dirigente, as palavras ditas pelo primeiro-ministro direcionam-se para "a racionalização e suturação de que se fala", mas "ninguém tem conhecimento objetivo do que se pretende fazer". Aliás, o Governo limita-se a "comunicar" e as associações não têm sido ouvidas.

"Eu não gosto desses sermões e recados. Era preferível ter uma conversa leal, aberta, sem esquinas", confessa Dom Januário Torgal Ferreira, que gostava de ver um "discurso global" em Portugal. Na sua opinião, a utilização de uma "espécie de ralhetes" pelos governantes, "falsamente moralistas ou moralizantes, com um certo tipo de puratinismo do Estado", conduzem à opinião pública a ideia de que os militares são os "malandros"

"O militar não é imune a atitudes de injustiça" e existem "muitos casais nas Forças Armadas com dificuldades muito sérias", conclui.



Fonte: Expresso ONLINE

terça-feira, 17 de abril de 2012

O Poeta é um fingidor



Quando as crianças brincam


Quando as crianças brincam
E eu as ouço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no meu coração



Análise do poema "Quando as crianças brincam"


O poema "Quando as crianças brincam" é um poema ortónimo tardio de Fernando Pessoa, datado de 5/9/1933.

O tema da infância é um tema recorrente na obra ortónima (escrita com o próprio nome) de Pessoa. É um tema simultaneamente reconfortante e doloroso para Pessoa e é fácil de compreender porquê.

Fernando Pessoa viveu uma infância dita feliz até aos seus 6 anos. É com a morte do pai que a unidade (e paz) familiar se quebra de modo definitivo e irreversível, culminando na traumática mudança dos Pessoa para a distante África do Sul, tem o menino Fernando apenas 8 anos. Ele - uma criança precoce, quiçá mesmo sobredotada - tinha uma consciência do que lhe estava a acontecer e registou todos os pormenores dessa mudança na sua psique.

Por isso a sua infância é agridoce - se por um lado houve uma altura de verdadeira felicidade, a barreira dos 6 anos marca o princípio de uma tristeza imensa que sempre o acompanhará. Ele recordará assim, de modo ambivalente, este período da sua vida. Há poemas em que a infância é recordada como tempo feliz (poema "quando era criança" por ex) e outros em que ela é recordada pelo oposto.

O poema em análise colhe, por assim dizer, destes dois mundos. Nele Pessoa recorda a infância tanto pelo que teve de feliz como de infeliz.

Mas passemos à análise propriamente dita do mesmo:


Quando as crianças brincam
E eu as oiço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.

A memória visual de Pessoa é activada pelo movimento das criança, sobretudo pelos sons. A memória humana guarda eventos, muitas da vezes, relacionando-os com os sentidos (cheirar algo pode activar a nossa memória, assim como ver algo, ou sentir algo com as mãos). Neste caso é o som que activa a memória de Pessoa. Mas vemos que a actividade das crianças activa em Pessoa uma alegria e não propriamente uma memória imediata.

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.

A razão porque é actividade uma "alegria" e não uma "memória imediata", tem a ver com aquela ambivalência de que falávamos: a infância de Pessoa foi feliz e infeliz, e ele não pode lembrar-se dela sem esquecer estes dois lados da mesma. No caso da 2.ª estrofe, Pessoa tira uma alegria de uma infância que não teve, precisamente porque a sua própria infância não foi completamente feliz. Não o foi completamente, mas também não o foi totalmente infeliz. É esta réstea de felicidade, da vida até aos 6 anos, que de certo modo torna Pessoa são, que lhe permite lembrar um pouco da felicidade infantil. É a partir deste pouco que Pessoa extrapola o resto - este pouco serve-lhe para imaginar uma "infância totalmente feliz". É esta "memória projectada" que é dele, quando ele olha para as crianças. Ele imagina assim como poderia ter tido uma infância totalmente feliz e faz desta projecção a sua realidade momentânea.

Por isso ele diz que a memória "não foi de ninguém". É uma memória construída, projectada a partir de uma outra memória parcial.

Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no coração.

Esta pequena felicidade é o que suporta Pessoa nos momentos mais difíceis. Como ele, nós também em momentos recordamos a nossa infância, principalmente quando na nossa vida adulta nos encontramos em dificuldades - a infância, sobretudo a infância, é um porto seguro para as inseguranças dos adultos. É na infância que se define o mais básicos dos princípios, valores e traves mestras da nossa personalidade e das nossas crenças.

Se bem que possa parecer que aqui Pessoa cede à emoção, não penso que seja realmente o caso. Veja-se como Pessoa racionaliza o facto da emoção o confortar - ele não se limita a reconhecer que a emoção o conforta, mas associa a esse conforto pobre a realidade de ele ser um "enigma" e uma "visão". Para Pessoa a constatação de um facto não se fica apenas por essa mesma constatação e isso revela a sua necessidade permanente de racionalizar, de manter o controlo da sua mente e do que o rodeia. Esta necessidade de controlo absoluto - que se revela em todas as mentes racionais - é sinal óbvio dessa mesma infância perdida. É o pequeno rapaz que sentiu todo o seu mundo perder-se subitamente que tenta, enquanto adulto, racionalizar tudo à sua volta, de maneira progressivamente mais desesperada.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Notícia(s) do Dia: "Não falta emprego, falta é gente para trabalhar" (Tal vai o Desplante)


 


"Não falta emprego, falta é gente para trabalhar"

A ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, disse hoje, em Leiria, que no setor da agricultura não falta emprego, mas pessoas para trabalhar.A ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, disse hoje, em Leiria, que no setor da agricultura não falta emprego, mas pessoas para trabalhar.


A governante sublinhou que é preciso contrariar a ideia de que trabalhar neste setor "é uma vida de dificuldades" e passar a mensagem de que as pessoas "podem ganhar dinheiro e enriquecer", concluindo que "não há falta de emprego na agricultura, falta é gente para trabalhar".

Assunção Cristas afirmou que uma das soluções passa por garantir mais agricultores e "novas pessoas que sintam que há oportunidades", razão pela qual o Governo está a disponibilizar terras do próprio Estado, com prioridade para os novos agricultores. "Arranjamos verbas [através de fundos comunitários] e terra para cultivar", salientou a ministra, convicta de que o caminho a percorrer passa "por produzir mais, aumentar o consumo interno e as exportações". Uma das áreas de oportunidade que destacou é a da produção biológica, que tem sido uma das apostas dos jovens agricultores, assinalou a governante.

O cadastro territorial e a valorização da produção nacional são dois desafios enunciados por Assunção Cristas, que aproveitou para frisar a necessidade de "uma utilização mais eficiente da água, num dos países que possui uma menor área de regadio". Por outro lado, a governante reafirmou a intenção e a importância de, "brevemente", passar a ser publicada no 'site' do Ministério da Agricultura a margem de lucro dos vários elos da cadeia alimentar, procurando tornar mais transparente os valores praticados entre a produção e a distribuição.

As declarações de Assunção Cristas foram proferidas durante uma conferência em Leiria, organizada pela NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria, intitulada "Novos desafios do Setor Agroalimentar - Uma Estratégia para o Crescimento da Economia Portuguesa".

Fonte: LUSA


Livros que merecem ser lidos...


Como chega um país à quase bancarrota? Porque são pedidos sacrifícios aos cidadãos que parecem não ter fim? Há uma solução duradoura para o problema da dívida pública? O argumento central deste ensaio é o de que os problemas das finanças públicas derivam da fraca qualidade da democracia. Na primeira paret, analisa-se como a situação actual é o resultado de uma cultura e uma prática orçamental laxista de décadas. Na segunda, após um breve diagnóstico dos bloqueios da democracia, são sugeridas algumas alterações do sistema político e administrativo, no sentidfo de maior liberdade, transparência e responsabilidade política, necessárias ao renascimento da democracia e à sustentabilidade das finaças públicas.

PORTUGAL: DÍVIDA PÚBLICA E DÉFICE DEMOCRÁTICO
Paulo Trigo Pereira


Í N D I C E

Parte I - Défice, dívida e descontrolo orçamental

1 - Há vida além do défice?
1.1. Défice: um problema?
1.2. A dívida pública: conceito e contabilidade «criativa»
1.3. A dinâmica do crescimento, do défice e da dívida pública sustentável
1.4. O Pacto e os Programas de Estabilidade e Crescimento
1.5. O emprego, o défice e a dívida

2 - É a bacarrota o nosso destino cíclico?
2.1. O «modelo» português de gestão orçamental
2.2. O crescimento da despesa pública
2.3. Portugal e a Europa: antes e depois da crise

3 - A evolução da estrutura do «Estado» teve impacto
3.1. As administrações públicas
3.2. A alteração da estrutura do «Estado»
3.3. Os fundos e serviços autónomos
3.4 A desorçamentação e o seu impacto nas contas públicas

4 - Investimentos de iniciativa pública: que papel para o sector público?
4.1 Desperdícios nos investimentos de iniciativa pública
4.2. As decisões sobre como investir e como financiar

Conclusão

Parte II - Democracia e reforma das instituições

5 - Porque é que as democracias têm dificuldade em promover o interesse público?
5.1 Democracia, economia mista e bem comum
5.2 Votos, cidadãos desinformados e grupos de interesse
5.3. Recursos comuns, troca de votos e ausência de cooperação
5.4 Instituições para melhorar a democracia

6 - A democracia bloqueada e o Estado fraco
6.1 As especificidades da democracia portuguesa
6.2 Bloqueios do sistema político
6.3 A formação e recrutamento das elites
6.4 A insustentável leveza da política e o definhar do Estado

7 - As funções e a reforma do Estado
7.1 O papel do sector público
7.2 Ética, Mérito e Transparência

8 - Renovar a democracia
8.1 Contrato social: competição e cooperação
8.2 Alterações constitucionais
8.3 Algumas reformas «parlamentares»
8.4 O papel da «sociedade civil»

Epílogo

Sugestões de Leitura

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Livros que merecem ser lidos...


A classe média é um segmento social que suscitou inúmeras polémicas e que, no actual quadro de austeridade, se encontra em risco de empobrecimento compulsivo (sobretudo nos países periféricos da Europa, como Portugal). A noção é, ela própria controversa. Quer em termos teóricos, porque não corresponde, verdadeiramente, a uma "classe" enquanto sujeito ou actor colectivo dotado de uma identidade própria, quer no plano concreto, na medida em que se trata de um conjunto plural que reúne diversas camadas sociais situadas nas posições intermédias da estratificação social, esta é uma categoria social de múltiplas conotações e muito heterogénea.
O presente ensaio pretende contribuir para uma reflexão sociológica - ampla e crítica - em torno deste tema, mostrando a pluralidade de abordagens e concepções sobre o assunto, e ao mesmo tempo apontando exemplos, discutindo tendências e partilhando perplexidades que se apresentam hoje à sociedade portufguesa e à sua classe média.

A CLASSE MÉDIA: Ascensão e Declínio
Elísio Estanque


Í N D I C E

I Parte - Origens e Teorias

1. Classes e desigualdades sociais
1.1. As origens e os precursores
1.2. Divergências e controvérsias: a visão marxista
1.3. A importância do "status": a visão weberiana

2. Ascensão e complexidade da classe média
2.1. A perspectiva liberal e funcionalista
2.2. Conflito, mudança estrutural e subjectividades

II Parte - Portugal

3. Portugal no contexto europeu e global
3.1. Estrutura da população e da indústria
3.2. A evolução da estrutura das classes

4. A persistência das desigualdades: tendências recentes
4.1. Estratificação social e recomposição do sistema de emprego
4.2. Endividamento e desigualdades de rendimento
4.3. Mobilidade, imobilidade e reprodução social
4.4. Atitudes, subjectividades e o «efeito de classe média»

5. Classe de serviço ou classe trasnformadora?

Conclusão

Referências bibliográficas

Anexo: Glossário

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Notícia(s) do Dia: Centenas de pessoas em defesa da Maternidade Alfredo da Costa



Centenas de pessoas em defesa da Maternidade Alfredo da Costa


Centenas de pessoas responderam hoje ao apelo para formar um cordão humano, em torno da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, como contestação ao anúncio do encerramento deste estabelecimento de saúde até 2015.

O número de pessoas reunidas por volta das 19h30 no local era suficiente para fazer dois cordões em torno da Maternidade, que tem um perímetro de cerca de 400 metros.

Hoje mesmo, o ministro da Saúde voltou a dizer que a MAC deveria encerrar durante a presente legislatura, tendo-se limitado a afirmar que o mais importante da MAC - o seu 'know-how' e as equipas - seriam mantidos.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse hoje em Maputo, que o encerramento da MAC visa "aproveitar o melhor possível as equipas técnicas que estão em funcionamento" naquela unidade hospitalar.


Um desfile entre a MAC e o Ministério da Saúde, em Lisboa, no dia 19, vai ser a próxima iniciativa para tentar evitar o encerramento daquela unidade hospitalar.

A decisão foi tomada num plenário realizado antes do cordão humano em redor do edifício da maior maternidade do país, para fazer recuar o Governo na intenção de encerrar a unidade até 2015, anunciada segunda-feira pelo ministro da Saúde.

Fonte: Expresso ONLINE

terça-feira, 10 de abril de 2012

À Volta com a Vida: A Loucura...





"A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana.

Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal.

Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco.

Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido.

Ter consciência dela e ela ser grande é ser génio."


Fernando Pessoa

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Notícia(s) do Dia: Subsídios de férias e de Natal só vão ser repostos a partir de 2015 e de forma gradual




Subsídios de férias e de Natal só vão ser repostos a partir de 2015 e de forma gradual




Corte não termina no fim de 2013 e vai durar mais um ano. "O nosso programa de ajustamento decorre até 2014. Portanto, só depois disso. Com que ritmo, com que velocidade, não sabemos", refere Passos Coelho em entrevista à Renascença. Primeiro-ministro diz ainda que vê vantagens na redistribuição dos subsídios por 12 salários.


Os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos só começam a ser repostos a partir de 2015. Em entrevista à Renascença, o primeiro-ministro afirma que a reposição dos 13º e 14º meses vai ser gradual.

"Creio que [a reposição] é depois de 2014, porque o nosso programa de ajustamento decorre até 2014. Portanto, só depois disso. A partir de 2015, haverá reposição desses subsídios. Com que ritmo, com que velocidade, não sabemos", começa por dizer Passos Coelho.

"Qual é o grau de reposição? Quanto tempo vai demorar? Não sabemos. E não sabemos porquê? Porque eu não conheço as condições que vão existir em 2014 e 2015", explica.

"Sabemos, sem ter uma bola de cristal, que eles não serão retomados automaticamente, porque dificilmente o Estado conseguiria encaixar num ano a reposição de todos esse benefício", acrescenta o chefe de Governo.

Diluição dos subsídios foi equacionada este ano
Em entrevista à Renascença, Passos Coelho admite mesmo que a redistribuição dos subsídios por 12 meses é uma possibilidade na qual vê vantagens. Ou seja, todos os trabalhadores – público e privados – podem passar a receber 12 salários e não 14, sendo o valor dos 14 redistribuído pelos 12.

"É uma possibilidade. Não a posso afastar. Posso dizer que chegámos a equacionar essa possibilidade já para este ano. O que nos pareceu é que haveria reformas a mais, que poderiam não ser bem entendidas", afirma.

"Eu, por acaso, não vejo grandes inconvenientes. Pelo contrário, vejo até vantagens em que um dia possamos fazer essa discussão e passar de uma convenção de 14 pagamentos para uma de 12 pagamentos", diz ainda Passos Coelho.

Sem condições para mais apoios sociais
O primeiro-ministro diz ainda que o país não tem condições para reforçar os apoios sociais. “Não há dinheiro para isso”, afirma. Quanto a diminuição de gastos que possam resultar da renegociação das parcerias público-privadas, espera que venha a conseguir poupar, mas refere que esse dinheiro será usado para “aliviar a pressão” sobre os futuros orçamentos.

O chefe do Governo reafirma que não vai rever a estimativa de desemprego para este ano, porque acredita que o segundo semestre “vai correr melhor” e, em 2013, considera que vai haver recuperação económica que permita a Portugal regressar aos mercados.

Em princípio, será a Irlanda a regressar "primeiro aos mercados" e Passos admite serem necessárias “pontes” que ajudem ambos os países nesse regresso. Ainda assim, acrescenta que não foi do Governo que partiu qualquer pedido ou informação nesse sentido.

Fonte: RENASCENÇA Online

terça-feira, 3 de abril de 2012

Notícia(s) do Dia: “Governo está a isolar-se cada vez mais do povo”



“Governo está a isolar-se cada vez mais do povo”

Mário Soares alerta para o perigo do caminho seguido pelo Governo de “não dialogar nem explicar as medidas difíceis” aos portugueses.

O ex-presidente da República defende que o Executivo, liderado por Pedro Passos Coelho, está a "isolar-se cada vez mais do povo". Mário Soares diz que a culpa não é apenas das medidas "impopularíssimas que tem vindo a tomar", mas também do facto de não dialogar e explicar aos portugueses essas medidas. O histórico socialista conclui assim que "as pessoas não compreendem qual a estratégia do Governo para combater a crise".

"O nosso Governo, legítimo, porque resultou do voto popular, está a isolar-se cada vez mais do povo. Não só por causa da crise e das medidas impopularíssimas que tem vindo a tomar - dos cortes que quase só atingem os trabalhadores mais pobres, os desempregados, os precários e boa parte da classe média -, mas porque não dialoga com os portugueses, não explica as medidas que toma, avança e recua em silêncio sobre medidas tomadas, e as pessoas não compreendem, por mais que o desejem, qual é a estratégia do Governo para vencer a crise. A austeridade, por si só, não leva com certeza a nenhum lugar", defende Mário Soares num artigo de opinião publicado hoje no Diário de Notícias.

Mário Soares dá o exemplo da manifestação das freguesias para ilustrar o facto de o Governo estar de costas voltadas para os portugueses. "No sábado passado, a "leizinha", como lhe chamou António José Seguro, quando foi anunciada pelo ministro Relvas, sem ouvir, como seria natural, os principais interessados, teve uma reacção unânime das freguesias portuguesas. De norte a sul, desfilaram, em sinal de protesto, pelo centro de Lisboa". "Como é que o Governo não compreendeu a impopularidade da lei que anunciou, depois de ter recuado, por razões políticas que estavam à vista, da ideia peregrina de unir os municípios, para que as Finanças reunissem mais fundos?", questiona o histórico socialista.

Soares acusa mesmo o Governo de não defender a identidade e coesão do país. "É caso para dizer que a obsessão dos cortes ordenados pela troika faz esquecer ao Governo a necessidade de defender a nossa identidade nacional e a coesão entre os portugueses. Num momento de crise - em que o desemprego e a criminalidade crescem -, é particularmente importante evitar o mal-estar e o pessimismo profundo que invadem os portugueses: assim não vamos longe, infelizmente".

No mesmo artigo de opinião o ex-presidente da República acrescenta que os portugueses "começam a ter a sensação de que quem manda é a troika e que Portugal". "É um verdadeiro protectorado comandado, não pelo Governo legítimo mas pelo exterior. Não há patriotismo que resista a uma tal situação".



Fonte: Diário Notícias

O Poeta é um fingidor




NÃO: NÃO DIGAS NADA


Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

análise do poema "não: não digas nada"


O poema que se inicia com "Não: não digas nada", é um poema ortónimo de Fernando Pessoa, datado de 5 e 6/2/1931. Trata-se, por isso, de um poema tardio do poeta. Muito curto, mas intensamente dramático, como teremos oportunidade de ver, de seguida.

Quanto à temática do poema, eu diria que ele fala sobre o silêncio. Mas é curioso observar que, em Fevereiro de 1931, a relação entre Pessoa e a sua namorada Ophélia Queiroz estava a terminar, para nunca mais ser reatada. A última carta entre os dois data de 21 de Março de 1931, pelo que, datará de alguns meses antes (provavelmente Fevereiro) a efectiva separação.

Julgo que este poema poderá também estar influenciado por este factor. Senão vejamos: Parece-nos que, no poema, a mensagem é dirigida a um interlocutor (ou interlocutora) que não é nomeado. Mas é claramente alguém que não o próprio autor. E ele pede silêncio - aliás, é a abertura do poema:

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já.

Isto fala um pouco da própria maneira como Pessoa opunha o sonho e a idealização do real face ao próprio real. Ele sempre insistiu numa realidade sonhada que nunca poderia ser alcançada.

Com Ophélia ocorreu um pouco isto. Ele sonhou muito a relação de ambos, e esse sonho nunca se aproximou da realidade. Ele, por exemplo, não conseguia suportar ter de se relacionar com a família dela, de maneira formal, nem sequer oficializar o namoro de ambos. Era avesso a tudo o que saísse da sua idealização do que era a relação entre ambos. Não queria que o mundo se intrometesse na sua ideia do que era Ophélia para ele.

Desta forma podemos compreender este pedido de silêncio à sua "amante ideal". Se nada for ouvido, tudo pode ser verdade. O silêncio é o nada, mas é também - de certa forma - o tudo que não foi ainda dito: é uma forma de realidade perfeita, que permite tudo dentro de si mesma.

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

Não ouvir nada (não ligar à realidade concreta) é assim melhor do que qualquer coisa real. A realidade intromete-se na perfeição da ideia que Pessoa faz dela. E nessa realidade estão as suas relações pessoais, os seus amigos, a sua família, e Ophélia.

És melhor do que tu.
Não digas nada; sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

O poema chega ao extremo de considerar que a ideia que Pessoa faz da sua "amante ideal" é melhor do que ela alguma vez poderá ser. Desta forma, Pessoa também consegue anular qualquer hipótese da relação entre ambos resultar, porque nunca se poderá aproximar desta ideia de perfeição. Ao desejar a perfeição de uma ideia subjectiva, Pessoa defende-se de ter de oficializar os seus sentimentos por Ophélia, de se comprometer com ela. O seu sonho dela basta-lhe, ao que parece, e esta é uma ideia triste de felicidade. Uma felicidade contida numa dimensão em que nunca se torna real.

Notícia(s) do Dia: Corte nas baixas "pode pôr em causa correcto tratamento dos doentes"



Corte nas baixas "pode pôr em causa correcto tratamento dos doentes"


Bastonário da Ordem dos Médicos alerta para consequências da proposta do Governo.


A redução do subsídio de doença pode colocar em causa o tratamento de doentes, adverte o bastonário da Ordem dos Médicos, em declarações à Renascença.

José Manuel Silva critica a proposta apresentada esta segunda-feira pelo Governo, em sede de concertação social, de proceder a cortes nesta prestação social.

“Isso pode pôr em causa o correcto tratamento dos doentes e o período que necessitem para convalescer. Não entendemos, de forma alguma, este tipo de medidas e propomos que, a serem tomadas, não sejam aplicadas a cidadãos com vencimentos inferiores a mil euros mensais”, defende o bastonário.

O Governo diz que o objectivo é evitar as chamadas “baixas fraudulentas”, mas o bastonário da Ordem dos Médicos considera tratar-se de uma “qualificação abusiva, sem comprovação, que visa estigmatizar a atribuição de baixas por parte dos médicos a muitos doentes”.

Nestas declarações à Renascença, José Manuel Silva deixa críticas à forma de actuação das juntas médicas que, “muitas vezes, sem examinarem o doente, têm uma opinião de que ele está apto para o trabalho, o que também nem sempre corresponde à verdade”.

“Se o Estado fala abusivamente em baixas fraudulentas, nós teríamos também de falar, eventualmente, em muitas altas inadequadas dessas baixas que são atribuídas pelos médicos de família”, acusa.

O Governo quer reduzir de 65% para 55% o subsídio de doença nos casos de incapacidade temporária inferior a 30 dias e para 60% no caso dos beneficiários com baixa entre 30 e 90 dias.

O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, diz que o objectivo é evitar que quem recebe subsídio de doença não ganhe mais do que se estivesse a trabalhar.

Fonte: Renascença ONLINE