quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: FERDINAND TÖNNIES (n. 26 Jul.1855; m. 09 Abr.1936)


Sociólogo alemão, Ferdinand Julius Tönnies nasceu a 26 de Julho de 1855, em Oldenswort, e faleceu a 9 de Abril de 1936, em Kiel. As suas influências encontram-se na filosofia de Arthur Schopenhauer e de Friedrich Nietzsche. Foi um dos fundadores da Associação Alemã de Sociologia. Tönnies distinguia três ramos de sociologia: a pura, a aplicada e a empírica. Na sua obra principal, Gemeinschaft und Gesellschaft (1887), apresentou os conceitos de "comunidade" (Gemeinschaft) e de "associação" (Gesellschaft), guias fundamentais da sociologia empírica e aplicada no estudo das transformações das relações na sociedade. Nas sociedades rurais, camponesas, as pessoas estabelecem relações directas umas com as outras e são reguladas por regras sociais tradicionais. Predomina a Wesenwille (a vontade natural), ditada pelas necessidades e convicções instintivas, pela expressão de sentimentos e pela emoção espontânea. Nas sociedades modernas, cosmopolitas, o interesse próprio e a conduta calculista enfraqueceu os contornos tradicionais das relações. Predomina a Kurwille (a vontade racional), inspirada pela racionalidade instrumental na escolha dos meios para atingir os fins. As relações são mais impessoais e indirectas e correspondem a uma sociedade de governo burocrático e de organizações industriais de larga escala. A Wesenwille é orgânica e real enquanto a Kurwille é conceptual e artificial. Gemeinschaft e Gesellschaft são tipos ideais e não categorias de classificação, o que nem sempre foi entendido pelos críticos de Tönnies.
As suas obras principais são: Gemeinschaft und Gesellschaft (1887); Thomas Hobbes Leben und Lehre (1896); Die Sitte (1909); Kritik der öffentlischen Meinung (1922).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Às Voltas com a Memória: MIKLÓS FEHÉR (n. 20 Jul. 1979; m. 25 Jan. 2004)


Miklós “Miki” Fehér, nasceu a 20 de Julho de 1979, em Tatabánya e foi um atacante da selecção nacional húngara. A carreira de Fehér começou no Győri ETO FC, tendo representado em Portugal o FC Porto, o Salgueiros e o Sporting Braga, antes de se mudar para o Benfica. Fez a sua estreia na selecção em Outubro de 1998 contra o Azerbaijão, tendo marcado sete golos em 25 partidas.
No dia 25 de Janeiro de 2004, o Benfica viajou até Guimarães. O jogo estava a ser transmitido em directo na televisão e o Benfica ganhava por 1-0. Após uma jogada mais dura (o cartão amarelo foi mostrado porque Miki tentou impedir um lançamento lateral ao jogador adversário) Fehér recebeu um cartão amarelo, tendo de seguida sentindo-se mal acabando por cair inanimado no relvado. Os médicos e colegas de imediato aperceberam-se que tinha sofrido uma paragem cardíaca, e o seu colega Sokota tirou-lhe a língua da garganta com as suas próprias mãos para que Miki não sufocasse imediatamente, tendo de seguida sido submetido a manobras de reanimação, nesta altura todo o estádio já se tinha apercebido da gravidade da situação. Uma ambulância entrou dentro do campo para transportar o jogador para o hospital. A sua condição física foi acompanhada ao longo do dia pelos media portugueses, e antes da meia-noite a morte de Fehér foi confirmada. O médico legista mais tarde anunciou que Fehér morreu devido a uma fibrilhação ventricular devido a uma cardiomiopatia hipertrófica. Tinha 24 anos.
Em memória dele, o Benfica retirou o número 29 que era usado por ele, sendo que este número nunca mais irá ser utilizado por um jogador do Benfica. Ele será sempre lembrado e a sua morte causou um grande choque no desporto português. Apesar de Fehér ter deixado o FC Porto para os rivais de Lisboa, após a sua morte, Reinaldo Telles o director do FC Porto e José Mourinho treinador na época, prestaram a sua homenagem no Estádio da Luz, onde o seu corpo esteve.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: THEODOR ADORNO (n. 11 Dez.1903; m. 06 Ago.1969)



Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno nasceu em Frankfurt, a 11 de Dezembro de 1903, filho de Oscar Alexander Wiesengrund (1870 - 1941) – próspero negociante alemão de vinhos, de origem judaica e convertido ao protestantismo – e de Maria Barbara Calvelli-Adorno – uma cantora lírica católica italiana. Posteriormente, Theodor passou a abreviar seu último nome, utilizando o nome de solteira de sua mãe como sobrenome (Theodor W. Adorno, ou simplesmente Theodor Adorno).
Estudou música com sua meia-irmã (por parte de mãe), Agathe, uma talentosa pianista. Frequentou o Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, onde se destacou como estudante brilhante. Além disso, ainda durante a adolescência, teve aulas particulares de composição com Bernhard Sekles, e leu, nas tardes de sábado, Immanuel Kant com seu amigo Siegfried Kracauer – 14 anos mais velho e especialista em Sociologia do Conhecimento. Mais tarde, Adorno diria que deve mais a estas leituras do que a qualquer de seus professores universitários.
Na Universidade de Frankfurt (actual Universidade Johann Wolfgang Goethe), estudou Filosofia, Musicologia, Psicologia e Sociologia. Completou rapidamente os seus estudos, defendendo em 1924 a sua tese sobre Edmund Husserl (A transcendência do objecto e do neumático na fenomenologia de Husserl), orientado pelo professor Hans Cornelius. Segundo Adorno, essa tese teria sido demasiadamente influenciada pelo seu orientador. Antes do final da sua graduação, conhece já dois de seus principais parceiros intelectuais – Max Horkheimer e Walter Benjamin.
Entre 1921 e 1932, publicou cerca de cem artigos sobre a crítica e estética musical e conheceria Vilma, com quem se casaria pouco tempo depois. A sua carreira filosófica começa em 1933 com a publicação da sua tese sobre Kierkegaard. Em 1925, conhece pessoalmente um dos filósofos que mais o influenciaram até então – o jovem Lukács. Crítico de Kierkegaard, Lukács decepcionará o jovem Adorno ao renegar sua obra de juventude (A Teoria do Romance por completo, e a História e Consciência de Classe na sua maior parte). Essas obras são pilares do pensamento de Adorno que travará inúmeras polémicas com Lukács pelos seus "desvios" de pensamento em prol do partido. Outro filósofo que influenciará Adorno de forma crucial é Walter Benjamin, a ponto de Adorno afirmar que, em determinado momento das suas produções filosóficas, sua intenção era apenas de traduzir Benjamin em termos académicos.
Com o fim da Segunda Guerra, Adorno é um dos que mais desejam o retorno do Instituto de Pesquisa Social a Frankfurt, tornando-se seu director-adjunto e seu co-director em 1955. Com a aposentadoria de Horkheimer, Adorno torna-se o novo director.
Próximo de sua morte, em 1969, Theodor Adorno envolve-se numa polémica com o seu companheiro e amigo da Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, por não ter apoiado os estudantes que, em 31 de Janeiro daquele ano, interromperam a sua aula, tentando continuar, dentro do Instituto, os protestos que tomavam as ruas das capitais da Europa. Adorno chamou a polícia. Marcuse posicionou-se a favor dos estudantes e, numa série de cartas, repreendeu e criticou severamente o amigo, dizendo de maneira clara que "em determinadas situações, a ocupação de prédios e a interrupção de aulas são actos legítimos de protesto político (...) Na medida em que a democracia burguesa (em virtude de suas antinomias imanentes) se fecha à transformação qualitativa, e isso através do próprio processo democrático-parlamentar, a oposição extraparlamentar torna-se a única forma de contestação: desobediência civil, acção directa".
Adorno faleceu meses depois, por problemas cardíacos, no dia 6 de Agosto de 1969.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Mundo que nos Rodeia: CERCA DE TRÊS EM CADA DEZ PORTUGUESES MOSTRAM-SE DISPOSTOS A PROCURAR MELHOR EMPREGO NOUTRO PAÍS




Cerca de três em cada dez portugueses mostram-se dispostos a procurar melhor emprego noutro país, tendências que se acentuam junto dos mais jovens e com formação superior, segundo um estudo hoje divulgado.
De acordo com o estudo realizado pela empresa de estudo de mercados internacional (GfK) que abrangeu 29 países, 43 por cento da população portuguesa activa está à procura de outro emprego e três em cada dez equaciona emigrar.
Destes, 54 por cento tem entre os 30 e os 39 anos e 42 por cento tem formação superior.
Quanto à disponibilidade para mudar de país, a pergunta que foi colocada em 17 dos 29 países, mais de um quarto dos trabalhadores portugueses inquiridos (27 por cento) está disposto a emigrar para conseguir um emprego melhor.
De acordo com o estudo, esta percentagem é mais acentuada junto dos jovens trabalhadores, entre os 18 e os 30 anos (40 por cento).
Além desta predisposição para mudar de país em busca de melhores condições, é também claro que os portugueses já começam a ponderar outras mudanças: face às actuais condições económicas, 25 por cento coloca a hipótese de vir a mudar de carreira.
“Os nossos resultados indicam um risco de ‘fuga de cérebros’ no próximo ano, o que originará problemas significativos para as empresas e para os países que procuram recuperar da recessão”, explicou o director-geral da GFK Portugal, António Gomes.
Segundo António Gomes, tanto entre trabalhadores manuais como não manuais, verifica-se que um quarto do seu número está disposto a mudar de país por questões de emprego, e que esse número aumenta entre os trabalhadores com mais qualificações.
“Um terço dos empregados na área de I&D está também disposto a mudar de país – precisamente os postos de trabalho que muitos países identificam como cruciais para a sua recuperação”, frisou.
De acordo com o estudo, Portugal apresenta tendências similares às dos restantes países, sobretudo no que refere à questão da emigração para encontrar situações de emprego mais satisfatórias.
A média de respostas indica ainda que os trabalhadores jovens e com qualificações são os que parecem mais propensos a mudar de país.
Quarenta e um por cento dos trabalhadores com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos afirmam que estão dispostos a mudar para conseguirem um emprego melhor, sendo esse número de um em três para os detentores de curso universitário (32 por cento) e de quase um em quatro para possuidores de doutoramento (37 por cento).
No grupo dos trabalhadores com nível de instrução equivalente ao secundário apenas 22 por cento pondera a hipótese de mudar.
O número de portugueses activamente à procura de outro emprego é superior à média dos restantes países, sendo apenas superado pelas respostas da população norte americana e colombiana.
No entanto, quando se fala em mudar de carreira, a percentagem fica muito aquém da média dos restantes países, ocupando o fim da lista e sendo apenas superada pelos resultados do México e Colômbia, onde os trabalhadores revelam pouca flexibilidade neste parâmetro.
O GfK International Employee Engagement Survey inclui as opiniões de 30,556 adultos empregados em 29 países.
Em Portugal, este estudo foi realizado durante os dias 11 e 22 de fevereiro, a uma amostra de 547 indivíduos.


Notícia: Agência LUSA

O Poeta é um fingidor


Já não me importo

Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,

Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.


Análise do poema "já não me importo"


Datado de 2/9/1935, este poema é por isso um dos mais tardios poemas ortónimos de Fernando Pessoa.
Como é comum na sua poesia ortónima, não há grandes artifícios ou emoções destiladas por linguagem colorida. Realmente podemos atestar como o "personagem ortónimo" representa, no todo do drama em gente Pessoano, aquela parte restante, ele é verdadeiramente o resto na conta complexa do jogo heteronímico. Parafraseando Pessoa, o ortónimo é ele menos os outros eles, é ele menos ele, é por isso mesmo uma reflexo interior que sai para fora e quando fora se acha inadaptado, disforme, nebuloso.
Pessoa morreria em Novembro deste mesmo ano. Por isso quem ele era em Setembro ressoa nestas palavras secas. Era já um homem de certo modo amargurado, e sobretudo desiludido. Desiludido com o governo do país que o isolara, e desiludido também com a própria esperança em organizar a sua vida, a sua obra, o seu futuro.
Grande parte dos poemas ortónimos reflectem este mesmo estado de espírito da perda de esperança, de uma grande abulia, um quase torpor de existir. Mas neste poema esse sentimento torna-se mais real, tomando em consideração que faltariam apenas alguns meses para o grande poeta desaparecer para sempre. O que ele pensava aqui provavelmente reflecte o que ele pensaria até à sua morte.
Vamos ler então o poema com atenção:
"Já não me importo / Até com o que amo ou creio amar. / Sou um navio que chegou a um porto / E cujo movimento é ali estar" - o poeta deixa passar na escrita o sentimento de perda completa da sua própri a vontade de viver. Não é um sentimento suicida, mas talvez pior que isso, um sentimento de anulação completa do ser. Ele "não se importa" com nada, "até com o que ama ou crê amar". Esta grande indiferença lembra um pouco o Campos final, aquele Campos já engenheiro reformado e desiludido com a vida e sobretudo desiludido com o seu próprio entusiasmo enquanto jovem. Também Pessoa em seu próprio nome se diz desiludido com esse passado. O seu "barco", a sua vida chegou ao fim, "ao porto" e o que tem ele para mostrar? Nada. O seu presente é apenas "ali estar", ou seja, ele existe é certo, mas para quê?
"Nada me resta / Do que quis ou achei. / Cheguei da festa / Como fui para lá ou ainda irei" - a chegada ao tal "porto" não se revelou como nada de novo. Do passado nada lhe resta, e não achou no "porto" nada daquilo que procurava. Nada do que "quis ou achou". Chegou da "festa da vida" como foi para ela...
"Indiferente / A quem sou ou suponho que mal sou," - ...indiferente a tudo e sobretudo sem continuar a saber quem era.
"Fito a gente / Que me rodeia e sempre rodeou, / Com um olhar / Que, sem o poder ver, / Sei que é sem ar / De olhar a valer. / E só me não cansa / O que a brisa me traz / De súbita mudança / No que nada me faz" - a sua atitude ao que o rodeia é de uma grande indiferença, ele reforça-o nestas duas estrofes (que por utilidade de leitura junto). Ele olha quem o rodeia sem olhar verdadeiramente. Tudo o cansa. É o grande tédio existencialista de Sartre, a náusea dos anos 80, mas mais do que isso, muito além disso, é uma náusea não só com a vida mas com o universo: é um ressentimento com Deus, uma raiva subtil e apagada para com toda a Natureza. Há que notar que há uma grande revolta desconhecida neste comportamento passivo: Pessoa aqui recusa-se a existir, e esta é a única grande revolta humana, a única revolta possível.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



MARÍNUS PIRES DE LIMA

Marinús Pires de Lima Soares. Nasceu em 29 de Abril de 1942 no Porto. Casou em 1966 e tem dois filhos.
PERCURSO ACADÉMICO

·         Licenciatura em Direito, Faculdade de Direito, Universidade de Lisboa (1964)
·         Membro do grupo de investigadores do ex-Gabinete de Investigações Sociais (1970-1982)
·         Assistente, ISCEF (1970-1975)
·         Professor Auxiliar Convidado, ISCTE (desde 1976)
·         D.E.A., Sociologia (Universidade de Paris 7, 1980)
·         Investigador Auxiliar, ICS, UL (1982-1993)
·         Investigador Principal, ICS, UL (desde 1993)
·         Editorial Adviser de Intemational Sociology
·         Membro do Conselho Cientifico do Juseconomiae - Centro de Estudos de Direito das Empresas da Administração Pública e das Comunidades Europeias
·         Membro da rede internacional Connaissances et Entreprises (Centro Interuniversitário de la Défense)
·         Membro da Comissão Editorial da revista «Organizações e Trabalho» (APSIOT)

ÁREAS DE INVESTIGAÇÃO

·         Sociologia do trabalho e do emprego
·         Metodologia das ciências sociais
·         Sistemas e relações sociais de trabalho nas indústrias navais
·         Sociologia das organizações (organização da indústria automóvel)

CAPÍTULOS DE LIVROS

[2010] Lima, Marinús Pires de, Guerreiro, Ana, Nunes, Cristina. Globalização e Relações Laborais em Portugal: Uma Intervenção Sociológica nos Sectores Têxtil, Automóvel, Bancário, Telecomunicações e Hotelaria e Restauração. In Freire, João e Almeida, Paulo Pereira (Eds.), Trabalho Moderno, Tecnologia e Organizações (pp. 97-127). Lisboa: Afrontamento

[2008] Lima, Marinús Pires de, Nunes, Cristina (2008). Portogallo: il caso della creazione del Forum Sociale Portoghese. In Antimo Farro e Paola Rebughini (Eds.), Europa alterglobal - Componenti e culture del "movimento dei movimenti" (pp. 176-186). Roma: F. Angeli

[2008]
Lima, Marinús Pires de, Guerreiro, Ana, Kolarova, Marina, Lino, Marta. Os Quadros na Banca Portuguesa: Processos de Inovação, Contextos de Trabalho e Enquadramento Sindical. In Villaverde, Manuel, Wall, Karin, Aboim, Sofia e Silva, Filipe Carreira da (Eds.), Itinerários: A Investigação nos 25 Anos do ICS (pp. 539-558). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais

[2007] Lima, Marinús Pires de. A Evolução do Trabalho Operário nas Indústrias de Construção e Reparação Navais: Aspectos de uma Investigação em Curso e Alguns Resultados Preliminares. In Pedro Lains e Nuno Estêvão Ferreira (Eds.), Portugal em Análise (pp. 511-550).
Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais

[2002] Lima, Marinús Pires de. Petites et Moyennes Entreprises, Entrepreneuriat et Relations Industrielles. In. Relations Industrielles et syndicalisme. Paris: Presses de l'Université Laval e Editions Harmattan

[2002] Lima, Marinús Pires de.
Social Partners Involvement in the Making and Follow-up of NAP. In Spineux, Armand (Eds.), Collective bargainning and employment in Europe (pp. 321-338). Lovaina: Presses Universitaires de Louvain

[2000] Lima, Marinús Pires de. Reflexões sobre a negociação colectiva e a concertação social. In. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda

[2000]
Lima, Marinús Pires de. Les négociations sur l'emploi au Portugal. In. Lovaina: Institut des Sciences du Travail

[1999]
Lima, Marinús Pires de. Economia e política da globalização e estratégias locais: a regulação do trabalho. In. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro

[1999]
Lima, Marinús Pires de. Transformações das relações laborais em três sectores. In. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro

[1996] Lima, Marinús Pires de. Impacto social da Operação Integrada de Desenvolvimento de Setúbal-Estatégias e comportamentos dos actores sociais. In. Lisboa: Fórum Sociológico, Universidade Nova de Lisboa

[1990]
Lima, Marinús Pires de. La Crise des Syndicats au Portugal. In. Paris: La Documentation Française

[1998]
Lima, Marinús Pires de. Periodização das políticas sociais do emprego entre 1974 e 1986. In. Lisboa: ISCTE

[1988]
Lima, Marinús Pires de. Transformations des relations professionnelles au Portugal. In. Québec: Université Laval

[1987]
Lima, Marinús Pires de. Contribuição para uma história da organização racional do trabalho em Portugal, no contexto da economia sob o Estado Novo (1926-1959). In. Lisboa: Fragmentos

[1985]
Lima, Marinús Pires de. Sistemas de trabalho e práticas operárias durante a industrialização capitalista em Portugal: o caso das indústrias navais (1910-1985). In. Lisboa: Teorema

ARTIGOS EM REVISTAS



[2008] Lima, Marinús Pires de, Nunes, Cristina. O estado da alterglobalização em Portugal. Economia Global e Gestão - ISCTE Business School, 1, 125-142.

[2008] Lima, Marinús Pires de. Movimentos sociais por Timor. Travessias, 6-7, 165-189.

[2007
Lima, Marinús Pires de, Nunes, Cristina. Movimentos alterglobalização e identidades. Trajectos, 11, 123-130.

[2006]
Lima, Marinús Pires de. O Trabalho no Concelho de Almada. Revista Cultural Anais de Almada, 7/8, 243-251.


[2004]
Lima, Marinús Pires de. Notas para uma história da organização racional do trabalho em Portugal (1900-1980). Revista Cultural Anais de Almada, 5/6, 147-241.

[1996] Lima, Marinús Pires de, Pires, Maria Leonor, Rodrigues, Eugénia, Duarte, Teresa. A organização da indústria automóvel na península de Setúbal. Análise Social Vol. XXXI, 139, 1117-1182.

[1995]
Lima, Marinús Pires de, Pires, Maria Leonor, Alves, Paulo. Transformações das relações laborais em três sectores: os casos das indústrias automóvel, siderúrgica e naval. Análise Social Vol. XXX, 134, 857-879.

[1993]
Lima, Marinús Pires de. A Europa social: questões e desafios. Análise Social Vol. XXVIII, 123/124, 835-867.
[1991] Lima, Marinús Pires de. Relações de trabalho, estratégias sindicais e emprego (1974-90). Análise Social Vol. XXVI, 114, 905-943.

[1987]
Rodrigues, Maria João, Lima, Marinús Pires de. Trabalho, emprego e transformações sociais: trajectórias e dilemas das ciências sociais em Portugal. Análise Social Vol. XXIII, 95, 119-149.

[1982]
Lima, Marinús Pires de. Notas para uma história da organização racional do trabalho em Portugal (1900-80) - alguns resultados preliminares de uma investigação em curso. Análise Social Vol. XVIII, 72/73/74, 1299-1366.

[1981]
Lima, Marinús Pires de. A evolução do trabalho operário nas indústrias de construção e reparação navais - aspectos de uma investigação em curso e alguns resultados preliminares. Análise Social Vol. XVII, 67/68/69, 885-923.

[1977]
Lima, Marinús Pires de. A acção operária na «Lisnave»: análise da evolução dos temas reivindicativos. Análise Social Vol. XIII, 52, 829-899.

[1975] Santos, Maria de Lourdes Lima dos, Lima, Marinús Pires de, Ferreira, Vítor Matias. As Lutas Sociais nas Empresas e a Revolução de 25 de Abril: da Reivindicação Económica ao Movimento Político - 1ª fase. Análise Social Vol. XI, 42/43, 266-335.

[1972]
Lima, Marinús Pires de. O inquérito sociológico: problemas de metodologia. Análise Social Vol. IX, 35/36, 558-628.


ACTAS DE COLÓQUIOS


[2009] Lima, Marinús Pires de, Nunes, Cristina. O Estado da Alteroglobalização em Portugal. Congresso Luso-afro-brasileiro (pp. 107-116). Braga: Universidade do Minho.


RELATÓRIOS



[2005]
Guerreiro, Ana, Kolarova, Marina, Lima, Marinús Pires de, Lino, Marta. Os Quadros na Banca Portuguesa. Lisboa: Institituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

OUTRAS PUBLICAÇÕES



[1973] Lima, Marinús Pires de (1973). Recensão a Lucien Karpik. (Recensão do livro Les politiques et les logiques d'action de la grande entreprise industrielle). Análise Social Vol. X, pp. 590-591. [Recensão]


OUTROS FORMATOS



[2006]
Lima, Marinús Pires de, Lino, Marta. O Desemprego em Portugal: alguns exemplos para reflexão. Lisboa: APSIOT [CDROM]

[2005] Guerreiro, Ana, Kolarova, Marina, Lima, Marinús Pires de, Lino, Marta. Qualidade de vida no trabalho dos quadros e técnicos bancários. Porto: APSIOT

[2003] Lima, Marinús Pires de, Nunes, Cristina. Os Sindicatos e os Desafios da Globalização.
Lisboa: APSIOT

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ASSIM É QUE É!!! TRABALHAR ATÉ DEPOIS DE MORTO!!


Homem morto trabalha durante uma semana (Noticia do New York Times) 

Os Gerentes de uma Editora estão a tentar descobrir  porque é que ninguém notou que um dos seus empregados estava morto, sentado à sua mesa há CINCO DIAS.
George Turklebaum, 51 anos, que trabalhava como Revisor de Texto numa firma de Nova Iorque há 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários. Ele morreu tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza o questionou, porque ainda estava a trabalhar no fim-de-semana.
O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse:
"O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o último a sair no final do expediente e ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição e não dissesse nada.
Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho."
A autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias, depois de um ataque cardíaco.
  

SUGESTÃO:
De vez em quando acene aos seus colegas de trabalho.
Certifique-se de que eles estão vivos e mostre que você também está vivo.
  

MORAL DA HISTÓRIA:
Não trabalhe demais. Ninguém repara!                   

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: GEORG SIMMEL (n. 01 Mar.1858; m. 28 Set.1918)



Georg Simmel, nasceu em 01 de Março de 1858, em Berlim. Foi um sociólogo alemão. Professor universitário admirado pelos seus alunos, sempre teve dificuldade em encontrar um lugar no seio da rígida academia do seu tempo.
Filho de Edward Simmel e Flora Bodstein, Georg Simmel foi o último dos sete filhos do casal com ascendência judia tanto pelo lado do pai como da mãe.
Em 1874 Edward Simmel morre e Julius Friedländer, amigo da família, torna-se tutor de Georg tendo-lhe, mais tarde, deixado uma herança expressiva a qual lhe permitiu seguir a vida académica.
Diplomou-se na Universidade de Berlim passando pelos cursos de filosofia. Sua tese de doutorado, também em filosofia, levou o título de A natureza da matéria segundo a monadologia física de Kant e rendeu-lhe o título no ano de 1881.
Em 1885 foi designado como Privatdozent na mesma Universidade de Berlim e ganhava apenas o que vinha das taxas pagas pelos estudantes que se inscreviam em seus cursos. Em 1901, tornou-se ainda "professor extraordinário", mas jamais foi incorporado de modo formal e definitivo na academia berlinense.
Em 1890 casou-se com Gertrud Kinel, diplomada também em Berlim, de família católica. Os dois não tiveram filhos.
Em 1912, ele foi nomeado professor em Estrasburgo, então uma cidade que pertencia ao Império Germânico. No entanto, o autor faleceu em 1917, aos 60 anos de idade.
Muito antes do grande tratado sociológico de Max Weber – Economia e Sociedade –, a Alemanha já conhecia o desenvolvimento consistente de uma discussão epistemológica voltada para a determinação do objecto, métodos e temas da ciência sociológica: reunindo diversos escritos produzidos em momentos anteriores, Georg Simmel apresentou sua "Soziologie" em 10 capítulos (e diversos outros excursos) no ano de 1908 e contribuiu decisivamente para a consolidação desta ciência na Alemanha.
Nesta obra, ele trata especificamente da sociologia (Capítulo 01 - O problema da sociologia) e aprofunda a análise das formas de sociação (objecto da sociologia), como a dominação (capítulo 03), o conflito (capítulo 04), o segredo (capítulo 05), os círculos sociais (capítulo 06) e a pobreza (capítulo 07). Ao mesmo tempo, reflecte sobre os determinantes quantitativos da vida social (capítulo 02), bem como sobre a relação entre a vida grupal e a individualidade (capítulo 10).
Simmel desenvolveu a sociologia formal, ou das formas sociais, influenciado pela filosofia kantiana (o neo-kantismo era uma corrente muito forte na Alemanha da época) que distinguia a forma do conteúdo dos objectos de estudo do conhecimento humano. Tal distinção pretendia tornar possível o entendimento da vida social já que no processo de sociação (Vergesellschaftung, termo que cunhou para o estudo da sociologia) o invariante eram as formas em que os indivíduos se agregavam e não os indivíduos em si.
Os processos qualitativos, no entanto, que assumiam tais formas também deveriam ser estudados pela sociologia geral, subproduto da formal, como a concebia Simmel. O autor não conferia aos grupos sociais unidades hipostasiadas, super-valorizadas com relação ao indivíduo (um distanciamento seu com relação a Durkheim, por exemplo). Antes via neste o fundamento dos grupos, daí que as formas para Simmel constituem-se em um processo de interacção entre tais indivíduos, seja por aproximação, seja pelo distanciamento, competição, subordinação, etc.
As principais formas de sociação estudadas por Simmel em sua obra são:

  • A determinação quantitativa do grupo: investigação entre o número de indivíduos no seio das formas de vida colectiva, ou seja, o modo como o aspecto quantitativo afecta o tipo de relação social existente. Neste tópico, Simmel mostrou que estar isolado, em numa relação exclusiva entre duas pessoas e, por fim, entre três, produz diferentes tipos de interacção entre as pessoas.
  • Dominação e subordinação: as relações de poder não são unilaterais e é preciso explicar como as formas de comando e obediência estão relacionadas. Dentre os tipos de relação de poder, Simmel destacou a obediência do grupo a um indivíduo, a dominação do grupo ou a dominação de regras impessoais.
  • O conflito: os indivíduos vivem em relações de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. Seriam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos, portanto, numa função positiva de superação das divergências. Influenciou assim as concepções do conflito presentes na obra de Lewys Coser e Ralf Dahrendorf.
  • Pobreza: constitui um tipo de relação na qual o indivíduo acha-se na dependência de outros, provocando, ao mesmo tempo, a necessidade de assegurar o socorro social.
  • A individualidade: ela pode ser de dois tipos. Sua forma quantitativa significa que todo indivíduo possui a mesma dignidade formal, ou seja, são iguais entre si. Mas, do ponto de vista qualitativo, todos procuram afirmar sua singularidade, sua personalidade, diferenciando-se dos demais.
Assim, apesar do seu carácter fragmentado, o livro "Sociologia" apresentou lançou as bases da orientação hermenêutica de sociologia (depois retomada e aprofundada por Max Weber), bem como explorou importantes temáticas da análise sociológica, como a questão do indivíduo e dos grupos sociais. Muitos entendem que sua abordagem foi vital para o desenvolvimento do que ficou conhecido como microssociologia, uma análise dos fenómenos no nível das interacções directas entre as pessoas.
Morreu a 28 de Setembro de 1918, em Estrasburgo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Às Voltas com a Memória: ZÉ BETO (n. 21 Fev. 1960; m. 10 Ago. 1990)


José Alberto Teixeira Ferreirinha – ZÉ BETO, o guarda-redes que veio do mar.
Nasceu em Matosinhos, a 21 de Fevereiro de 1960, no ceio de uma família de pescadores. Foi nas ruas da Vila que deu os primeiros pontapés na bola, por vezes uma simples bola de trapos, pois o dinheiro não dava para mais. Aos 5 anos a família Ferreirinha mudou-se para Leça, mas Zé Beto nunca perdeu o contacto com os antigos amigos de rua com quem deu os primeiros toques na redondinha. Mais tarde foram viver para a cidade do Porto. Foi aqui que a vida de Zé Beto entrou numa fase mais instável, não gostava da escola, chegando até a reprovar por faltas. Logo que terminou a Escola Preparatória inscreveu-se num curso de electromecânica e mais tarde de serralheiro. Tudo isto em vão, o puto continuava a não gostar de estudar, acabando por ir trabalhar para as obras.
O futebol surgiu na sua vida por esta altura. A convite de um amigo foi treinar para um pequeno clube chamado Pasteleira. O mais difícil foi convencer o pai, mas depois de muita insistência lá conseguiu o seu apoio, mas ficando acordado que só haveria aprovação total após a observação de um dos seus treinos. Assim aconteceu, no final do treino disse-lhe mais ou menos isto: - Tu não gostas da escola, mudas de emprego como quem muda de camisa, portanto tens o meu aval, vai tentar o futebol. Zé Beto ficou louco de contente, o pai tinha concluído que afinal o puto tinha jeito para a bola. Tornou-se o seu principal apoiante e o seu treinador particular a tempo inteiro.
Os dirigentes do Pasteleira ficaram radiantes com o aval do pai, pois tinham reparado que o miúdo tinha garra e habilidade para defender as redes do clube. Contudo, ainda faltava resolver um pormenor. O miúdo ainda não tinha idade para jogar pelos juvenis, sendo necessário pedir autorização para que ele pudesse vestir a camisola número um como era desejo de todos em especial do treinador. O pedido foi aceite e o rapaz pode assim envergar a camisola número um e tomar conta da baliza da equipa de juvenis. Desde logo, começou a dar nas vistas e não tardou em despertar a atenção dos responsáveis de outros clubes, entre os quais o Futebol Clube Do Porto.
Após disputa entre Porto e Leixões, o jovem guardião ingressa nos quadros do FCP e de lá só saiu um ano por empréstimo para representar o Beira-Mar. Na época de 1975/76 conseguiu o seu primeiro título, jogava na altura nos juvenis. Foi então que teve também a sua primeira internacionalização, actuando no campeonato europeu e no mundial de juvenis. Até chegar a sénior foi sempre o titular indiscutível das redes portistas. No primeiro ano de sénior, com Fonseca e Tibi pela frente, dois guarda-redes com muita experiência, o jovem Zé Beto foi emprestado ao Beira-Mar por uma temporada, onde rapidamente conquistou a titularidade.
Depois de uma época no clube de Aveiro, regressou ás Antas de onde, entretanto tinha saído o seu amigo Pedroto devido a diferendos entre este e então presidente portista.
Pedroto foi substituído por um Austríaco de nome Stessl, que entre Zé Beto e Fonseca, optou sempre pelo segundo. Foram dois anos de travessia no deserto, no entanto o jovem guarda-redes nunca desistiu nem perdeu o ânimo, entregando-se de corpo e alma nos treinos, confiante de que o seu dia iria chegar. Duas épocas mais tarde, Pinto da Costa assume a presidência do clube e com ele regressa às Antas o Senhor Pedroto. Zé Beto foi titular em todos os jogos da pré-época, até que num jogo com o Boavista se lesiona, adiando assim a sua estreia como titular em jogos oficiais. Triste com o azar que lhe batera à porta, não perdeu o entusiasmo e a garra que o caracterizavam e logo que recuperou da lesão entregou-se ao trabalho procurando recuperar a forma perdida.
Finalmente surge a tão merecida titularidade. Foi num jogo com o Guimarães na época 83/84.
Zé Beto tornou-se no titular indiscutível das redes portistas, as suas exibições enchiam o olho a todos os que assistiam aos jogos do FCP, rapidamente se tornou num ídolo para os adeptos que reclamavam a sua presença na selecção principal. Contudo os seleccionadores sempre preferiram o então guarda-redes do Benfica, Manuel Bento.
Mais tarde surge o castigo da UEFA. Pela primeira vez na sua história, o FCP chega a uma final europeia. Foi uma alegria imensa para todos, que encaravam aquele jogo como uma enorme festa. Mal sabiam o que estava para acontecer. A final foi com a poderosa equipa da Juventus que, desde o início do jogo até final, foi contando com as benesses do árbitro. Essa foi uma noite triste para Zé Beto. Segundo o relatório do arbitro o guarda-redes ter-lhe-á batido com a bandeirola de um dos auxiliares na cabeça. Zé Beto sempre negou esta acusação, no entanto a UEFA não teve contemplações e impediu-o de jogar nas competições europeias durante a época seguinte.
Os anos que se seguiram não se revelaram muito positivos para a carreira do guarda-redes de quem José Maria Pedroto tanto gostava. Perdeu a titularidade para o polaco Mlinarzich.
O pior ainda estava para acontecer. Quando se previa a sua saída das Antas rumo a outro clube, Zé Beto foi vítima de um brutal acidente, a 10 de Agosto de 1990, que lhe roubou a vida e o impediu de finalmente mostrar ao mundo todo o seu talento.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: GEORGE HERBERT MEAD (n. 27 Fev.1863; m. 26 Abr.1931)


Sociólogo, psicólogo social e filósofo norte-americano, George Herbert Mead nasceu em South Hadley, Massachusetts em 27 de Fevereiro de 1863 e morreu em Chicago em 26 de Abril de 1931. Filósofo americano de importância capital para a sociologia, pertencente à Escola de Chicago. Juntamente com William James, Pierce e Dewey, Mead faz parte de uma corrente teórica da filosofia americana denominada de pragmatismo. Herbert Blumer, em 1937 classifica o pensamento de Mead, juntamente com o de vários filósofos e sociólogos, como pertencente a uma linha de pensamento mais geral denominado de interacionismo simbólico.
Entre os teóricos relevantes para sua formação está Wilhelm Wundt (foi o revisor dos primeiros quatro volumes da Völkerpsychologie) através dos seus estudos em Berlim (pós graduação em filosofia e psicologia). Opôs-se ao reducionismo proposto pelos behaviorismo de Watson, posteriormente reapresentado por B. F. Skiner (que consideravam como metafísicos os conceitos de mente, self, consciência).
Compartilhava com Wundt a importância das pesquisas sobre a linguagem no comportamento para conseguir o entendimento do que é a mente, só que para ele a mente era um produto da linguagem ao contrário de Wundt que considerava a linguagem com um produto da mente; Piaget retoma esse problema pesquisando aspectos da relação entre linguagem (aquisição e desempenho) e inteligência, postulando que apesar da relativa independência destas e existência da inteligência pré-verbal. Para ele, é através da função simbólica que o indivíduo atinge (aos 12 anos caracterizando o período das operações formais) a capacidade de raciocinar sobre hipótese e enunciados e não mais sobre objectos postos sobre a mesa ou imediatamente representados.
Considerando os modernos estudiosos da linguagem como o linguista Noam Chomsky e o psicólogo B. F. Skiner (autor de comportamento verbal) podemos afirmar que esse debate ainda perdura caracterizando a Posição Nativista que privilegia o sistema inato para aquisição da linguagem e a Posição Ambientalista que considera que o comportamento verbal é primeiramente aprendido.
Graduou-se em Oberlin, 1883 e não seguiu a carreira esperada no ministério eclesiástico leccionou primeiro numa escola primária. Trabalhou durante três anos no grupo de investigação da Estrada de Ferro Central de Wisconsin. Inscreveu-se para mestrado em filosofia e psicologia em Harvard, 1888 foi tutor de um dos filhos de William James. Estudou com Wilhelm Wundt em Leipzig 1888-89. Teve como supervisor nos seus estudos de doutorado Dilthey (filosofia) com a tese sobre percepção do espaço estudando a relação entre visão e tacto (filósofo dos sentidos).
Foi professor de Filosofia e Psicologia da Universidade de Michigan em 1891 onde conheceu Dewey, da Universidade de Chicago e em 1894, junto com Dewey que era o chefe do departamento de filosofia iniciou o curso de Psicologia Social.
Apesar de ter escrito pouco (todas as suas obras são póstumas e resultam de compilações das suas aulas), deixou marcas influentes para o desenvolvimento do interacionismo simbólico na sociologia norte-americana. Caracterizando a sua sociologia como social behaviourismo (foi Herbert Blumer quem a apelidou de interacionismo simbólico), descreveu o processo pelo qual os atores sociais interagem: o recurso à assunção de papéis sociais, o relevo da comunicação simbólica (com a linguagem e os gestos) e das "conversações internas" com o self onde antecipam as respostas dos outros atores sociais e ensaiam imaginariamente alternativas de conduta.
O self emerge da interacção social. Mead encarou os seres humanos como atores sociais em que o "eu" como eu sou está em contínua interacção com o "eu" como os outros me vêem de tal modo que, segundo este autor, a vida social é um processo de adaptação e ajustamento aos padrões sociais existentes. A conceptualização de Mead acerca da interacção e da organização serviu de base a formulações das ciências sociais bem mais recentes e de correntes tão diversas como a etnometodologia, a sociologia cognitiva ou a fenomenologia.

PRINCIPAIS OBRAS:

1932  The Philosophy of the Present
1934  Mind, Self and Society
1938  The Philosophy of the Act