segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Às Voltas com a Memória: PAVÃO (n. 12 Ago. 1947; m. 16 Dez. 1973)

Fernando Pascoal das Neves, mais conhecido por: “Pavão”, nasceu em Chaves no dia 12 de Agosto de 1947.
Começou a jogar futebol no Desportivo de Chaves onde deu nas vistas e em 1964 foi jogar para os juniores do Futebol clube do Porto. Logo no ano seguinte passou para a equipa principal orientada na altura por Flávio Costa, e fez a sua estreia a titular num jogo contra o Benfica com apenas 18 anos.
Mas foi com a chegada do treinador José Maria Pedroto que Pavão ganhou de maneira definitiva a titularidade e para além de ser o jogador mais jovem do plantel foi o escolhido para ser capitão.
O ponto alto da sua curta carreira como futebolista aconteceu na época de 1967/68 ao ajudar o FC Porto a conquistar a Taça de Portugal ao derrotar na final o Vitória de Setúbal por 2-1.
Falava-se que ia para Inglaterra jogar para o Manchester United, e que tinha planos para abrir um “pub” na Praça Velásquez. Todo isso terminou ao minuto 13 da 13ª jornada do campeonato de 1973 no dia 16 de Dezembro, quando depois de fazer um passe para Oliveira, Pavão caiu e não se levantou mais. Foi levado para o hospital de S.João onde 1 hora e meia depois foi anunciada a sua morte. O jogo continuou e o FC Porto venceu por 2-0.
No final quando se soube que Pavão tinha morrido, o silêncio tomou conta das pessoas que enchiam as bancadas ao mesmo tempo que os jogadores procuravam consolo nos colegas. Foi esse o dia mais triste do Estádio das Antas e um dia que ainda hoje muitos portistas ainda não esqueceram.
A Fernando Pascoal das Neves ainda ninguém chamava Pavão.Era Nandito. Pequenino mas galhardo, que nos jogos com rapazio de maior idade não deixava os seus créditos por pernas alheias. Quando em 1958 terminou a escola primária fez exame de admissão aos liceus, chumbou. O pai decidiu, então, que por castigo iria trabalhar e que só voltaria à escola quando tivesse idade para inscrever-se no curso nocturno. Para empregado de balcão foi.  Pavão, como já então todos apotavam, porque tendo peitaça de maratonista gostava de a exibir de braços abertos, vivia na rebeldia solta dos seus 11 anos, abespinhou-se ao ver cliente daquelas a quem nada agrada e tudo deprecia, mofou dela em voz alta, foi de imediato despedido. Era o que queria. Ficou, assim, ainda com mais tempo para os jogos de bola, umas vezes no Canto do Rio, outras no Tabolado, quando o largo nada mais era que um extenso descampado. António Feliciano, a mais famosa das torres de Belém, treinava o Desportivo de Chaves. Como decidira fazer no clube uma escola de jogadores — era paixão que já lhe fervia... — cirandou pela cidade, espiolhando os jogos vadios da petizada, à cata de talentos. Depressa se encantou do jeito de Pavão, levando-o, naturalmente, para a sua escola. Tinha 13 anos.
Como contrapartida pela autorização para jogar futebol o pai convenceu-o a matricular-se nas aulas nocturnas do Curso de Aprendizagem do Comércio. O desporto era paixão cada vez mais ardente. Não só o futebol. O atletismo também. Para as corridas pensou inscrever-se nos campeonatos da Mocidade Portuguesa, mas como era aluno nocturno, impediram-no. Jurou que haveria de voltar às aulas diurnas, deitou-se sozinho aos estudos, fez exame do ciclo preparatório, aprovou. Era assim — pertinaz, lutador. Passando a frequentar o Curso Geral do Comércio, nas aulas diurnas, inscreveu-se, então, nas secções de atletismo, de voleibol e de andebol da Mocidade Portuguesa, sem que isso o fizesse abandonar, naturalmente, a prática do futebol.
Existindo uma vaga no cargo de professor de ginástica na Escola Comercial de Chaves, apesar de não possuir qualquer diploma que o habilitasse como tal, António Feliciano conseguiu autorização para preencher essa vaga, com duplo objectivo: podia assim servir os jovens flavienses, ministrando-lhes lições de educação física, de acordo com os seus conhecimentos e experiência e, ao mesmo tempo, conseguia estar mais perto dos seus pupilos, que em grande parte frequentavam aquele estabelecimento de ensino. Tal era o entusiasmo de Pavão e de todos os seus colegas que, quando as aulas terminavam, punham-se todos a correr atrás do automóvel do professor Feliciano, da escola ao estádio! Chamavam-lhe o treino de fôlego. Com esse espírito e com o talento que já revelara, foi sem surpresa que, em 1966, saltou de Chaves para o F. C. Porto. O destino dar-lhe-ia, contudo, pouco tempo para brilhar... Os mistérios da morte no estádio. Em 1973, para substituir Riera, Américo de Sá contratara Béla Guttmann. Ao minuto 13 da jornada 13 daquele frio Dezembro de 1973, durante o jogo F. C. Porto-V. Setúbal, Pavão estatelou-se no relvado, em estado de coma ficou, num ápice. Conduzido ao Hospital de São João, fizeram-lhe electrochoques, mas hora e meia depois tinha falecido. José Santana, médico portista, admitiu, então, que a tragédia se devesse à «rotura de vaso sanguíneo, talvez em virtude de uma cabeçada na bola». Mas como o treinador do F. C. Porto era Béla Guttmann — que para além do chazinho, adquirira, ainda nos seus tempos de sucesso no Benfica, fama de dar aos pupilos, antes dos jogos, amiúde escondido na sopa, um comprimido, que jurava serem apenas vitaminas — logo se acastelaram suspeitas. De boca em boca voltou a correr a rábula da mulher de Costa Pereira: em vésperas de um Benfica-Manchester, para a Taça dos Campeões, decidira levar os jogadores ao cinema, mas a caminho da sala surgira-lhe a senhora, descabelada, acusando-o de estar a destruir-lhe o marido com aqueles comprimidos, que lhe faziam as noites brancas, com estranhos pesadelos, estranhas euforias... Em surdina se haveria de saber que a necrópsia revelara derrames das cápsulas suprarenais, provocados, possivelmente, por uma descarga brusca de adrenalina, produzida em excesso. Porquê a descarga brusca de adrenalina? Isso ninguém explicara, ninguém explicaria...
Tudo isso ia servindo de pábulo para suspeições que se sussuravam um pouco por todo o lado, mas sobretudo pelas congostas da má-língua. Na certidão de óbito se declarava que a morte de Fernando Pascoal das Neves se devera a estenose aórtica congénita, doença que o impediria de jogar futebol e só por negligência continuava a fazê-lo. Ou seja, Alberto José de Almeida, o médico que pela última vez o examinara no Centro de Medicina do Porto, ficava com a espada de Dâmocles sobre a sua cabeça.
Acabou salvo pela Polícia Judiciária, que o ilibaria, rejeitando a hipótese de o falecimento se dever a estenose aórtica. E, estranhamente, para muita gente, a talho de foice, a PJ concluiu que não fora pelo uso de substâncias estimulantes que Pavão morrera. Pelo que se arquivou o processo, mas não se afastaram as cortinas de fumo.
Pavão deixara órfã filha pequenina. O F. C. Porto de Américo de Sá prometeu ajudar a família, que bem precisava, já que todas as economias tinham sido aplicadas num pub, na Avenida Velasquez, mesmo à beirinha do Estádio das Antas, que seria sonho de Pavão que com ele morreria. Ajudou pouco. A mulher empregou-se no Estado, mais por mérito seu que por outra coisa. A filha, Cristina, só teria os estudos pagos quando Pinto da Costa assumiu a presidência do F. C. Porto... O olho vivo de Pedroto. Corria o ano de 1964 quando a Artur Baeta, responsável pelas camadas jovens do F. C.
Porto, chegaram notícias do talento de Pavão, por quem os benfiquistas já se tinham enamorado. Por 300 contos os portistas ganharam a corrida. Um ano depois era promovido à equipa de honra do F. C. Porto, por Flávio Costa. Depressa revelaria excelente técnica e invulgar capacidade táctica, que faziam dele estratego de um tipo de futebol que, por essa altura, se considerava... moderno, inspirado, sobretudo, na escola brasileira dos campeões do Mundo. Para lhe examinar o perfil psicológico em teste de fogo, lançou-o como titular contra o... Benfica. Pavão não se apoquentou, assinando exibição excepcional. Tinha 18 anos. Os elogios talvez o tenham enebriado e a sua chama entrou em tremulina. Flávio Costa sujeitou-o, então, ao sacrifício do banco. Assim estava quando Pedroto regressou às Antas, na ânsia de resgatar o clube do caminho de escolhos e mágoas em que caíra. Bom psicólogo e astuto treinador, recuperou Pavão de um dia para o outro e fez dele a pedra-de-toque da sua aposta, tomando até a ousadia de fazer do mais jovem jogador da equipa seu... capitão.


A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

Falando de Conceitos

Revisitando o “velho” conceito de Alcoolismo

A noção de alcoolismo como doença, e não apenas como vício, desenvolve-se na segunda metade do século XIX em França. A França foi um dos primeiros países em que mais cedo se começou a valorizar o crescente consumo médio de álcool, havendo uma certa preocupação com os consumos anuais por pessoa e a elevada proporção do número de tabernas por habitante.
A consciencialização do perigo que tais factos representavam para a saúde pública e para a própria sociedade, bem como os progressos no conhecimento dos seus efeitos sobre o sistema nervoso estiveram certamente na base de uma abordagem científica dos problemas ligados ao consumo de álcool.
A partir de então, várias definições de alcoolismo têm surgido, sem que nenhuma satisfaça plenamente.
Já em1940, a escola americana de Jellinek, atenta à extensão dos problemas relacionados com o consumo de álcool, à sua complexidade, e à multiplicidade de interacções de forças e vectores na sua origem, deu passos nesse sentido, fazendo colaborar pela primeira vez, em estudos sobre Alcoolismo, médicos, sociólogos, psicólogos, juristas e economistas. Nas primeiras comunicações internacionais surgiu um novo conceito, alargado, de alcoolismo e apontam-se as vantagens da colaboração interdisciplinar.
Em 1945, este movimento, científico sobre o alcoolismo estende-se a toda a Europa, surgindo em França o CNDCA – Comité National de Defense Contre l’Alcoolisme, e na Suiça o ICCA – International Council on Alcohol and Addictions, mas é à OMS – Organização Mundial de Saúde que se deve o grande empenhamento na definição da problemática ligada ao álcool.
Em 1955, Pierre Fouquet, ao fazer uma revisão de trabalho sobre o assunto, concluía que o conceito de alcoolismo, seus fundamentos e sua realidade, tinham noções muito pouco claras.
Em muitos casos o conceito de alcoolismo seguiu caminhos mais propriamente de classificações do que uma definição concreta.
Quase meio século volvido, as mesmas dificuldades persistem, embora nos últimos anos de investigação, se tenha vindo a propiciar uma renovada compreensão do fenómeno de alcoolização e do consumidor excessivo de álcool.


O “novo” conceito de Alcoolismo

Na realidade, definir o conceito que vulgarmente é designado por Alcoolismo, limitando-se aos efeitos do consumo excessivo e prolongado de bebidas alcoólicas, que acaba por determinar um estado de “dependência” do álcool, responsável por doença física, e psíquica do indivíduo, não tem satisfeito aqueles que encaram o álcool como causa, associada ou não, a outro tipo de patologia, não só individual mas também colectiva, e respeitante à saúde pública.
É o caso, por exemplo, dos efeitos do álcool sobre a condução rodoviária, a criminalidade, as perturbações familiares e os seus efeitos sobre as crianças – concepção, gestação, aleitamento, desenvolvimento e rendimento escolar.
Entre as numerosas definições que se ficaram a dever à OMS, destaca-se a que considera o alcoolismo como doença e o alcoólico como doente, fazendo referência a extensas repercussões do mal, para além das respeitantes directamente ao indivíduo e à possibilidade de tratamento.
Eis a definição de alcoolismo da OMS:

            “Alcoolismo não constitui uma entidade nosológica definida,
            mas a totalidade  dos  problemas  motivados pelo álcool, no
            indivíduo,  estendendo-se   em  vários  planos  e  causando
            perturbações  orgânicas  e  psíquicas, perturbações da vida
            familiar,  profissional  e  social,  com  as  suas repercussões
            económicas, legais e morais”.

Por outro lado, a OMS, definiu os Alcoólicos, como:

            “Bebedouros  excessivos,  cuja  dependência em relação ao
            álcool  se  acompanha  de  perturbações  mentais,  da saúde
            física,  da  relação  com  os  outros  e do seu comportamento
            social e económico. Devem submeter-se a tratamento”.

Em 1982, a OMS num documento de trabalho preparado para a “Discussão de Técnicas sobre Alcoolismo”, que teve lugar no âmbito da 35ª Assembleia Mundial de Saúde, refere uma outra definição, de alcoolismo, como sendo:

            “Problemas ligados ao álcool, ou simplesmente problemas de
            álcool, é uma expressão imprecisa mas cada vez mais usada
            para  designar   as  consequências  nocivas  do  consumo  de
            álcool. Estas  consequências  atingem não só o bebedor, mas
            também a família e a colectividade em geral. As perturbações
            causadas podem ser físicas, mentais ou sociais e resultam de
            episódios agudos, de um  consumo excessivo ou inoportuno,
            ou de um consumo prolongado”.

Esta perspectiva mais alargada ultrapassa o simples conceito de alcoolismo como doença, ou seja, os problemas ligados à dependência alcoólica, se bem que extensos e graves, não representam senão uma pequena parte de todos os problemas ligados ao álcool.
Mais do que uma ciência nova, a Alcoologia, tal como foi apontada por Fouquet[1], é uma nova forma de perspectivar um problema complexo e vasto, sob uma forma de abordagem diferente, mais actual e mais adequada, podendo ser definida como:

            “Disciplina consagrada a tudo aquilo que diz respeito ao álcool
            etílico,  quanto  a:  produção,  distribuição,  consumo  normal e
            patológico e implicações deste, suas causas e  consequências,
            quer a nível individual  (orgânico, psicológico e espiritual), quer
            a  nível  colectivo  (nacional  e internacional, social, económico
            e jurídico)”.
           
Mais acrescenta Fouquet:

            “Esta   disciplina,   autónoma,   serve-se,  para  instrumento  de
            conhecimento,  das  principais  ciências humanas, económicas,
            jurídicas e médicas,  encontrando  na  sua  evolução  dinâmica
            as suas próprias leis”.


[1] FOUQUET, Pierre, BORDE, Martine de, (1985), Le Roman de l’álcool, Paris, Seghers.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Poeta é um fingidor.



O ANDAIME

O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!


Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão.


A 'sp'rança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobre mais que minha 's'prança,
Rola mais que o meu desejo.


Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam - verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.


Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.


Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!


Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.


Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.


Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.


Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.

O poema "O Andaime", é um poema ortónimo de Fernando Pessoa, sem data, mas publicado em 1931 na revista Presença.   
Trata-se de um poema tardio (Pessoa morreria em 1935) e um poema muito curioso, pela sua hábil construção formal.
Sabemos bem que a poesia ortónima tem por essência uma grande simplicidade formal e estilística, mas este poema parece querer ir para além dessas limitações dentro mesmo dessa simplicidade. Isso é óbvio desde logo pelo título e pela "magreza" das estrofes - quase que parece que Pessoa quer, visualmente, dar-nos a impressão do andaime, antes mesmo de lermos o poema, na forma como o construiu magro e longo.   
Porquê "O Andaime"? Apenas o vamos saber no final do poema. Porque no início, o poeta fala-nos de um tema querido à sua poesia ortónima: a reflexão na sua infância, no seu passado, no que foi imaginado mas nunca foi realizado no concreto. É a batalha eterna entre o subjectivo e o objectivo, entre o sonho e a acção, entre o desejado e o realizado.   
Pessoa lamenta-se mesmo no início dos anos que terá perdido com esses sonhos. Tantos anos de vida perdidos. "A vida mentida / De um futuro imaginado". E é o rio que ele vê que acaba por representar em símbolo essa vida que corre mas que não significa nada em si mesma. O "correr do rio" é o correr da vida, um "correr vazio (...) anónimo e frio". A natureza (o Tempo) passa como as ondas do rio, e nada acontece de real. É tudo vazio e sem significado.   
A ilusão (o sonho) de Pessoa nunca se concretizou. Ficou só no palco, como ele nos diz, e nunca saiu dele para a vida exterior. Quando a ilusão acabou, quando o sonho finalmente ruiu perante a pobre realidade, tudo acabou, toda a ilusão foi desvendada e destruída ("Despiu-se, e o reino acabou").  
Há uma ligeira impressão que Pessoa nos quer dizer que em determinado período da sua vida ele sabia que nada do seu sonho se iria realizar, e que ele, como um louco que não aceita o que lhe é dito como verdade, se recusou a acreditar: "Encontrei-me / Quando já estava perdido", poderá quer dizer isso mesmo; que ele sabia a certo ponto que tudo tinha falhado, mas que ele teve de recusar acreditar nisso para não enlouquecer.   
A realidade agora é que ele não vê um futuro para si próprio. O rio continuará a correr, mas para quê? Mais vale que lhe leve as esperanças e o futuro. "Só um sonho me liga a mim" - diz-nos ele. E o que ele diz é que esse sonho é a memória do seu passado. Apenas isso impede que tudo se dilua na irrealidade. Mas ao mesmo tempo esse passado não quer dizer nada - é uma ilusão vazia, um paradoxo.   
Esse paradoxo é finalmente revelado num símbolo: o andaime que cerca a casa por fabricar. O andaime serão os sonhos e a casa a vida que Pessoa nunca conseguiu erguer em volta dos seus sonhos.

Às Voltas com a Memória: VÍTOR DAMAS (n. 08 Out. 1947; m. 13 Set. 2003)

Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira, nasceu a 8 de Outubro de 1947, em Lisboa. Foi o eterno nº1, foi um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre e talvez o melhor guarda-redes de sempre do Sporting. Começou a jogar aos 14 anos e só abandonou os relvados aos 41 anos. Era extremamente elegante na baliza, tudo nele era agilidade, intuição e espectáculo. A isso aliava uns reflexos fantásticos e uma habilidade fora do comum, nos guarda-redes, para jogar com os pés. Ainda é recordista de jogos pelo Sporting, ao ter vestido por 743 vezes a camisola leonina!
Vítor Damas entrou para o Sporting aos 14 anos através de um vizinho que jogava ténis de mesa. Queria ser avançado, mas como era o mais pequeno teve que ir para a baliza de onde nunca mais saiu. O seu primeiro grande jogo foi contra o Benfica nos juvenis. O jogo não lhe correu bem, como o próprio admitiu: “Nos dias anteriores todo eu era uma pilha! Quando entrei no rectângulo o estádio parecia um mundo. Veio o primeiro remate e saltei à gato para recolher o esférico, mas passou-me por baixo da barriga. Felizmente que a bola embateu no poste e ressaltou para fora. Todavia, o meu nervosismo originou dois golos para os encarnados e, ao segundo, não pude mais. Saí debulhado em lágrimas, sentindo o peso do fracasso, para mim de dimensões imensuráveis. Porém, no ano seguinte, em 1962, já tinha vencido essas debilidades psicológicas, tudo nos correu bem e o Sporting alcançou o título nacional, vencendo, em Leiria, a Académica de forma concludente, por 5-1. Era o meu primeiro título nacional”.
Aos 17 anos assinou o primeiro contrato profissional (20 contos de “luvas” e mais 5 de salário) e, aos 19, assumiu-se como séria alternativa ao histórico Carvalho.
Em 1967, fez o primeiro jogo para o Campeonato Nacional da I Divisão, frente ao Porto, sofrendo dois golos. Passou novamente para suplente de Carvalho. Quando faltavam seis jornadas para o final do Campeonato agarrou a titularidade e não mais a largou. Histórico foi, também, o dia 18 de Setembro de 1968, não pela vitória por 4-0 frente ao Valência, mas sim porque foi o dia em que Damas se estreou na Europa.
Em 1969, estreou-se pela Selecção Nacional, com apenas 21 anos, frente ao México.
Para se ter a noção da importância de Damas, na baliza leonina, o jornalista de A Bola, Carlos Pinhão, escreveu uma vez em manchete: “Chama-se Damas, o Eusébio do Sporting”. Foram várias as histórias nos duelos entre as duas figuras do futebol português, mas há três que sobressaem claramente: a primeira, em 9 de Novembro de 1969 (1-0 para o Sporting em Alvalade), quando Eusébio cabeceou por cima de Damas e este, numa estirada prodigiosa para canto, suscitou um clamor da multidão; a segunda em 2 de Dezembro de 1973 (2-0 para o Benfica na Luz), quando Damas julgou que a barra tivesse devolvido um poderoso livre de Eusébio que, nessa altura, já festejava o golo, depois de a bola, isso sim, ter batido com precisão no ferro de dentro da baliza e ressaltado para as mãos do nº 1 leonino. A terceira, um remate de Eusébio que Damas defende de forma brilhante, Eusébio remata outra vez e Damas como um verdadeiro gato levanta-se e desvia a bola para canto. O Pantera Negra até o foi beijar.
A propósito do primeiro lance, Augusto Inácio estava em Alvalade nesse dia: “Ainda era miúdo, tinha 12/13 anos e vi Damas fazer uma espectacular defesa com um golpe de rins a remate de Eusébio. Ao longo da minha carreira, nunca vi nada igual. Foi uma defesa impossível que colocou o estádio em delírio. Como grande senhor, Eusébio cumprimentou o Damas logo a seguir”.
Acrescente-se que essa defesa mereceu elogios, ao ponto de a compararem àquela do inglês Gordon Banks a cabeceamento de Pelé, em pleno Mundial 70, que entrou para a história como a mais espectacular de sempre.
Por falar em Mundial 70 recue-se a esse ano, ao dia 27 de Dezembro, em que o Sporting foi humilhado na Luz (5-1). O lateral esquerdo desse jogo, Hilário, recorda que “Damas foi eleito o melhor em campo. Sem ele na baliza, tínhamos levado muitos mais golos. Nesse dia, ele sofreu cinco golos, mas fez milagres para evitar outros tantos”. O lateral direito desse dia, Pedro Gomes disse que: “Nesse jogo com o Benfica, foi ele quem evitou um resultado ainda mais dilatado, ao ponto de ter sido eleito o melhor em campo. Pouco há a dizer quando se perde por 5-1 e quem é elogiado é o guarda-redes”.
Damas confirmou ao longo dos anos o enorme guarda-redes que era, devido à sua elasticidade e reflexos apuradíssimos. O seu grande defeito? A irreverência e o facto de detestar perder, como aponta Pedro Gomes: “Conheci-o bem e ele detestava perder. Até empatar! Uma vez, empatámos com a Académica (4-4, a 20 de Janeiro de 1985), em Alvalade, e ele chegou ao balneário a dizer que não queria jogar mais. Era um jogador inconstante quando as coisas não corriam bem à equipa. Tinha receio de ser cúmplice. Alguns minutos depois, falei calmamente com ele e já estava tudo bem. Foi uma irritação do momento”.
O central Venâncio recordou esta faceta de Damas: “Foi um monstro na baliza. Toda a gente o conhecia e o admirava. Tive o prazer de jogar com ele muitos anos e, ao início, ficava assustado quando o via a sair da baliza em direcção a nós, defesas, para nos ralhar, a trincar a língua de raiva. Mas depois habituei-me”.
A 3 de Novembro de 1971, Damas realizou uma das mais fantásticas exibições de um guarda-redes português em provas da UEFA, curiosamente numa fase em que estava a atravessar um momento menos bom de forma. O Sporting tinha perdido 3-2 em Glasgow frente ao Rangers e, aos 90 minutos, em Lisboa, vencia por 3-2. No prolongamento, um golo para cada lado colocou o resultado em 4-3. Os regulamentos diziam que os golos marcados no prolongamento valiam como se fossem marcados no tempo regulamentar, ou seja, valiam mais para a equipa visitante. O árbitro Van Ravens não se recordou desse pormenor e ordenou a marcação de grandes penalidades. Damas defendeu 3 (!) (a 2ª das quais por 2 vezes, por se ter mexido antes do tempo!), o que no fim acabou por ser inútil. Mas, fica para a história essa exibição memorável.
No ano seguinte, a 27 de Setembro de 1972, Damas conheceu o lado oposto. O Sporting foi derrotado por 6-1, na Escócia, frente ao Hibernians. A defesa leonina esteve muito mal, Damas incluído. Este foi apontado a dedo como principal responsável pela derrota pelo técnico Ronnie Allen: “Damas teve culpa em 3 golos, Damas é o culpado por esta eliminação”. O que é certo é que na temporada seguinte, Damas continuava titular da baliza leonina, ao passo que Ronnie Allen saiu do Sporting.
No dia 18 de Setembro de 1974, o Sporting foi jogar a St. Étienne e perdeu por 2-0. A época corria mal, com a equipa afectada psicologicamente pelos problemas de inscrição de Di Stefano como treinador e esse nervosismo foi evidente. No primeiro golo dos franceses, aos 15 minutos, Alhinho teve uma falha clamorosa. Damas exaltou-se de tal maneira com o central que quase chegaram a vias de facto. As exibições históricas de Damas voltaram depois, tendo como exemplo, o mês de Novembro do mesmo ano, quando Portugal foi jogar a Wembley. Os ingleses diziam que seriam mais de 5 e Portugal foi mesmo massacrado, mas Damas com uma fantástica exibição garantiu que o resultado ficasse em 0-0. Um ano depois, novo episódio curioso. Numa noite de nevoeiro, nas Antas (18 de Outubro de 1975), Gomes atira a bola às malhas laterais de Damas. Um apanha-bolas aproveita a desorientação geral e coloca-a dentro da baliza. O golo foi validado, mas o Sporting acabou por vencer por 3-2.
Em 1976, Damas sai do Sporting. Fala-se num contrato assinado com o FC Porto, de Pedroto, o que faz com que seja doentiamente assobiado no último jogo do Campeonato, mas Damas vai para Espanha representar o Racing Santander durante 4 épocas (1976/77 a 1979/80). Regressa a Portugal em 1980 para representar o Guimarães de…Pedroto, ficando no clube por 2 anos rumando, depois ao Portimonense jogando lá por mais 2 anos. É convocado para o Euro 84 onde é suplente de Bento, o outro grande guarda-redes da sua geração. Em 1984 regressa ao Sporting já com 36 anos, para vencer apenas uma Supertaça.
No ano de 1986, retira-se da selecção contabilizando 2 presenças no Mundial 86, no México.
Na época de 1987/88, Damas vinha a perder lugar para o jovem Rui Correia. A 3 de Novembro de 1987, o técnico Keith Burkinshaw devolveu-lhe a titularidade na 2ª mão da 2ª eliminatória da Taça das Taças, frente ao Kalmar (5-0). No final, ironia de Damas: “Não estou ao serviço do senhor Burkinshaw nem me estou a servir a mim próprio, sirvo apenas o Sporting Clube de Portugal. Suplente? Nem sempre fui suplente, cheguei até a ser terceiro guarda-redes...”.
O seu último jogo, com 41 anos de idade, foi a 27 de Novembro de 1988, a contar para o Campeonato Nacional da I Divisão, no Estádio do Fontelo, em Viseu, contra o Académico local. A prtida terminou empata 2-2.
Vítor Damas terminou desta forma a carreira, sendo convidado pelo presidente Jorge Gonçalves para adjunto de Pedro Rocha. Passou a técnico principal em Fevereiro de 1989, para regressar a treinador-adjunto. Na época seguinte teria que assegurar, mais uma vez, o comando da equipa durante a troca de treinador. Foi treinador dos guarda-redes do plantel sénior até 1999, altura em que passou a treinador principal do então clube-satélite, Lourinhanense. Treinou a equipa B do Sporting em 2001, saindo no final da época.
No dia 6 de Abril de 2003, o Sporting homenageou Damas no início do jogo Sporting – Vitória Guimarães. Uma homenagem emotiva para todos os presentes, na qual se proferiu um discurso (do qual apresento só uma parte): “Este é um momento muito especial. Temos entre nós Vítor Damas, uma figura inesquecível do Sporting, um guarda-redes que fez história no futebol português, um atleta que deixou a sua marca gravada para sempre na memória de quem teve a sorte de o ver actuar. Vítor Damas começou a jogar aos 14 anos no Sporting e só abandonou as balizas aos 41. (…) Como guarda-redes, Vítor Damas foi um atleta único. A sua elegância, a sua eficácia, os seus reflexos fantásticos permitiram-lhe criar um estilo irrepetível que arrebatou multidões e ajudou gerações a gostarem ainda mais de futebol e do Sporting. Vítor Damas, na baliza, era um espectáculo dentro do maior espectáculo do Mundo! Vestir 743 vezes a camisola do Sporting é um feito único. Alcançá-lo com a qualidade, a dignidade, a dedicação e o orgulho com que o fez Vítor Damas é um enorme motivo de admiração e gratidão de todos os sportinguistas”.
Pouco tempo antes de morrer, Damas disse ao jornal Sporting que queria “estar presente na inauguração do novo Estádio e se isso acontecer posso morrer feliz”. Pode-se dizer, então, que Vítor Damas morreu feliz. Não resistiu a doença prolongada e faleceu a 13 de Setembro de 2003, com 55 anos, na véspera de um Sporting – Nacional. Curiosamente, Vítor Damas, que pertencia ao painel de apostadores do jornal Expresso, previra 2-0 para o Sporting e acertou!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Livros que merecem ser lidos...


Introdução à SOCIOLOGIA

Livro coordenado por João Ferreira de Almeida, sociólogo e Ex Reitor do I.S.C.T.E - Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, com a colaboração de Fernando Luís Machado, Luís Capucha e Anália Cardoso Torres. Livro editado pela Universidade Aberta, em 1994, com 233 páginas. Obra extraordinária pela diversidade de temas que abarca, tocando um pouco por todas as áreas da Sociologia. Em 1994, quando da sua publicação, tornou-se um livro fundamental para os iniciantes aos estudos sociológicos e de primordial interesse para perceber e entender a sociedade em geral e a sociologia em particular.


ÍNDICE

Introdução

1. Ciências Sociais e Sociologia

1.1.  O Campo das Ciências Sociais
1.2.  E a Sociologia?
1.2.1.  Obstáculos
1.2.2.  Construções
1.2.3.  Fronteiras

2. Processos Societais e Instituições

2.1.  Globalização e Desenvolvimento
2.1.1.  Comunicações e o sistema mundo
2.1.2.  Empresas e corporações transnacionais
2.1.3.  Estados-Nação e organismos internacionais
2.1.4.  Problemas sociais de nível global
2.1.5.  O problema ambiental
2.1.6.  Desenvolvimento e sub-desenvolvimento
2.1.7.  Portugal: uma sociedade de desenvolvimento intermédio

2.2.  Divisão do Trabalho e Empresa
2.2.1.  Distribuição da população pelos sectores de actividade económica
2.2.2.  A divisão do trabalho nas organizações industriais e as culturas profisionais
2.2.3.  Sindicatos e associações profissionais
2.2.4.  Desemprego e emprego feminino
2.2.5.  Novas tecnologias e divisão internaional do trabalho
2.2.6.  Empresas e cultura de empresas

2.3.  Migrações, Urbanização, Terciarização
2.3.1.  Migrações, emigração, imigração
2.3.2.  Urbanização, cidades, vida urbana
2.3.3.  Terciarização

2.4. Família e Escola
2.4.1.  Família
2.4.1.1.  Famílias de outras latitudes
2.4.1.2.  Mudanças familiares nas sociedades ocidentais
2.4.1.3.  Casamento e divórcio, tendências contemporâneas
2.4.1.4.  Mudanças na sociedade portuguesa contemporânea
2.4.1.5.  O outro lado da família
2.4.1.6.  A família como unidade de análise
2.4.2.  Escola
2.4.2.1.  Educação, sociedade e desenvolvimento
2.4.2.2.  Instituição escolar e desigualdades sociais

3. Desigualdades, Identidades e Valores

3.1.  Classes, mobilidade social e acção colectiva
3.1.1.  Elementos de definição do conceito de classe social
3.1.2.  Estrutura de classes e mobilidade social
3.1.3.  Estrutura de classes e mobilidade social em Portugal
3.1.4.  Classes, prática e estilos de vida
3.1.5.  Classes, acção colectiva e novos movimentos sociais

3.2.  Género, Etnicidade e Pobreza
3.2.1.  Género
3.2.2.  Etnicidade
3.2.3.  Pobreza

3.3.  Valores e Representações
3.3.1.  O campo simbólico
3.3.2.  Religião
3.3.2.1.  Auto-identificação e prática religiosa
3.3.2.2.  Valores religiosos e prolongamentos sociais

4. O Trabalho da Sociologia

4.1.  Metodologia da pesquisa empírica
4.1.1.  Estratégias de investigação
4.1.2.  Procedimentos e fases de pesquisa
4.1.2.1.  Definição da questão de partida e fase exploratória
4.1.2.2.  Definição da problemática, das hipóteses e do modelo de análise
4.1.2.3.  Selecção e aplicação dos instrumentos de observação e recolha de informação
4.1.2.4.  Análise das informações recolhidas, significância e conclusões
4.1.3.  Classificação das técnicas de pesquisa em ciências sociais

4.2.  Contributos sociais da Sociologia
4.2.1.  Sociologia, sociedade e reflexividade
4.2.2.  Desenvolvimento e profissionalização da sociologia em Portugal

Glossário

Bibliografia Básica 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

Definição da Problemática


As expectativas inerentes à objectivação definida projecta-se numa questão central, que constitui o ponto de partida e orienta toda a investigação:




Quais os principais motivos que levam os indivíduos a tornarem-se
consumidores excessivos de álcool?

Esta questão inicial é, como já se referiu, integradora de toda a pesquisa, pelo que também ela necessita de ser operacionalizada através de um conjunto de questões derivadas.
Esta operacionalização que deu forma aos propósitos da investigação teve de ser necessariamente flexível e adaptável e viria a sofrer ligeiros (re) ajustamentos no decurso da investigação efectuada. Desta forma, pretendeu-se com esta operacionalização e desmultiplicação da questão inicial, conceber um mecanismo de progressiva adaptação aos novos contornos que o desenvolvimento do estudo foi ditando.
Emergentes da questão inicial (de partida), surgiram, desta forma, as sub questões que passamos a explicitar:

·         Até que ponto os problemas familiares, motivam os indivíduos a tornarem-se consumidores excessivos de álcool?

·         É a negligência pela a família um factor desencadeador do abuso do álcool?

·         Até que ponto o desemprego torna o indivíduo num forte consumidor de álcool, levando à sua dependência?

·         São as dificuldades financeiras, um facto motivante para o consumo em excesso de álcool?

·         Será a perda de velhos amigos, uma das razões para o indivíduo entrar no mundo do alcoolismo?

·         Serão factores sócio culturais que levam os indivíduos ao consumo excessivo de álcool?


As “minhas” Hipóteses


Hipótese Principal:

O  consumo  excessivo  de álcool  é  o  resultado das dificuldades
que o indivíduo se vê confrontado no seu dia a dia e nas relações
estabelecidas   ao   nível   de  grupos,  organizações,  círculos  de
amigos.

Hipóteses secundárias:

Hipótese 1 – A falta de emprego e as dificuldades económicas conduzem os indivíduos a refugiarem-se no consumo de álcool, de forma a não enfrentarem a realidade da sua situação.

Hipótese 2 – As dificuldades familiares e a própria negligência pela a família, são factores que desencadeiam a busca abusiva de álcool.

Hipótese 3 – A perda de velhos amigos, pode levar ao consumo excessivo de álcool, como forma de “esquecerem temporariamente” o assunto.

Hipótese 4 – Os factores sócio culturais são muitas vezes uma forma do consumo de álcool se tornar banal, levando ao consumo excessivo do mesmo.

O Modelo de Análise


Após a fase exploratória, importa agora traduzir todas as preocupações até aqui sentidas, numa linguagem adequada, de forma a conduzir o trabalho sistemático de recolha e análise dos dados. Necessito, assim, de um modelo de análise que sirva os propósitos, ou seja, que através de uma conceptualização abstracta dê conta do real.
Conforme nos explicitam Quivy e Campenhoudt[1], o modelo de análise é o prolongamento natural da problemática articulando de forma operacional os marcos e as pistas que serão finalmente retidos para orientar o trabalho de observação e de análise. É composto por conceitos e hipóteses estreitamente articulados entre si para, em conjunto, formarem um quadro de análise coerente.
Aires Gameiro[2], considera o hábito de beber sistematicamente a todas as refeições e entre elas e ainda mais frequentemente do que isso (de manhã e ao deitar) como um grau de consumo dependente, visto que o consumidor denota uma apetência para não poder passar sem uma certa concentração quase permanente de álcool no sangue. Considera ainda que a partir do consumo sistemático em duas situações diárias se toca a área do consumo excessivo.


















[1] QUIVY, Raymond, CAMPENHOUDT, Lucvan. (1998), Manual de investigação em ciências sociais, Lisboa, Gradiva, (2ª edição).
[2] GAMEIRO, Aires, (1998), Hábitos de beber dos portugueses e prevenção dos problemas ligados ao Álcool, in Hospitalidade, Mem-Martins.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Momentos da Vida: CURRICULUM VITAE E ENTREVISTA


Curriulum Vitae e Entrevista: Conselhos de preparação e erros mais comuns

Conselhos de preparação do Curriculum Vitae

  Ser objectivo;
  Estruturado cronologicamente do mais actual para o mais antigo;
  Contactos pessoais bem identificados;
  Não deve ultrapassar 2 páginas;
  Ser exaustivo na descrição dos projectos onde participou;
  Ser resumido e ter aspecto clean;
  Claro;
  Conciso;
  Boa organização e estruturação dos conteúdos;
  Especificar a formação académica, bem como as experiências profissionais relevantes;
  Classificação do nível de conhecimentos de idiomas e informática ;
  Mencionar as actividades extra curriculares relacionadas com a formação;
  Descrição breve das tarefas realizadas em cada fase curricular;
  Identificação de pessoas de referência;

Erros mais comuns que aparecem nos curriculum Vitae

  Falta de contactos;
  Demasiado extenso, informação pouco sistematizada;
  Inexistência de indicação de áreas de interesse;
  Inexistência de zonas geográficas de interesse;
  Carta de motivação pouco focada;
  Pouca precisão e erros nas datas da experiência profissional;
  Informação que não é muito relevante para avaliação e validação do candidato;
  Demasiado sucinto ;
  Falta de clareza na exposição dos dados ;
  Informação sobre habilitações académicas incompletas;
  Falta de informação sobre perspectivas de carreira;
  Confusos ;
  Sem ordem cronológica de experiência e formação da situação actual para o passado ;
  Quando são copiados do CV europeu os candidatos têm tendência a esquecerem-se de apagar as instruções de preenchimento do mesmo,
  Erros ortográficos;

Conselhos para a entrevista

  Mostrar as suas capacidades e vontade de trabalhar;
  Tentar fugir às respostas mais comuns, não respondendo de acordo com desejabilidade social;
  Ser realista e honesto;
  Sinceridade;
  Objectividade e foco;
  Preparar devidamente a entrevista para a função que se está a candidatar;
  Preparar a informação sobre a empresa para a qual se está a candidatar;
  Ter boa apresentação;
  Pontualidade;
  Comunicação clara e focalizada;
  Ser espontâneo ;
  Ter ideias claras sobre perspectivas de carreira e saber expô-las;
  Demonstrar interesse no lugar;
  Levar sempre consigo um CV imprimido a cores, mesmo quando tal não é solicitado.;
  Apresentação cuidada e nada de pastilhas elásticas, óculos escuros na cabeça ou telemóveis ligados;
  Confiança QB;
  Combater a ansiedade;

Erros mais comuns nas entrevistas

  Tentar analisar as perguntas do entrevistador;
  Muitos rodeios;
  Contradição nas datas do percurso profissional;
  Divagação e pouca precisão nas respostas às questões colocadas;
  Demasiado nervosismo;
  Não saber o que quer fazer no futuro;
  Espírito de que “Qualquer coisa serve para 1º emprego”;
  Demonstrar pouco interesse no lugar;
  Não saberem a que oportunidade se candidataram ;
  Não mostrarem estar minimamente informados sobre a empresa ;
  Postura pouco adequada, indiciadora de imaturidade;
  Apresentação descuidada;
  Falta de investimento na entrevista;
  Vender a imagem de acordo com a percepção do anúncio ;
  Atenderem os telemóveis;
  Mascarem pastilhas.